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Jayme Caetano Braun:
Negrinho do Pastoreio

 

19/11/2007 19:42:37
PAYADOR
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Falar de Jayme Caetano Braun é muito difícil
para quem não tem aquele dom de payador, poeta;
é mais difícil, ainda, para aquele qüera
que não tem o nativismo correndo pelas veias.
Falar deste Payador é quase nascer de novo,
sair desta tapera das cidades e voltar
de mala e cuia aos velhos pagos;
é ser piá de novo, tendo olhos de criança,
com o bodoque na mão, à beira da lagoa.
Lagoa feita do improviso da mãe natureza,
que arrebanhou as gotas de orvalho
dos campos pajolas e que agora transbordam
com as lágrimas da gauchada; de um povo que ficou
sem o maior Payador das querências.
Tenho medo, e me atrevo a imaginar
como estão aquelas bandas
do Rancho Celeste do Pai Eterno;
que baita roda de chimarrão,
de tantos pealados que nos deixaram.
Lás puxa, tchê, tinhas que ir agora?
Não aguentaste o repuxo?
Deste a charla, deste o recado, e até a pouquito
nos passava, bocalmente. Xiru....  não davas pra aguentar?
Deixaste nossos xucros corações num alvoroço;
deixaste o piazedo com olhos úmidos
e falquejou os corações das prendas.
Eta saudade ingrata, que no peito aperta.
Não sou Galo de Rinha nem Cordeiro Guacho,
sou mais um do Piazedo em riba da Mangueira de Pedra,
numa payada mui linda.
A payada da saudade. Velho Jaime, que hora mais ingrata
a de conhecê-lo agora.
Parecia que até ontem já havia te conhecido pessoalmente.
No ressoar das tuas payadas, dos versos truncados,
nos versos apaixonados.
Que tu tavas ali, não no rádio, nem na tv.... mas, sim, ao meu lado.
Peço humildemente a tantos poetas, tantos escritores,
que mudem o significado de payador.
Pois de hoje em diante, para mim, Payador, quer dizer:
JAYME CAETANO BRAUN!
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  Autor: Flavio Rasia Filho
Poesia enviada Por: Flavio Rasia Filho - Caxias do Sul / RS
  Observações: Chasque produzido pelo autor no dia do falecimento do Pajador do Rio Grande, Jayme Caetano Braun. no dia 08 de julho de 1999.

 
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