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27/12/2007 08:52:52
LEMBRANÇAS DE GURI
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Antonio Francisco de Paula

 

Numa dessas madrugadas

De céu escuro enferruscado

Acordei meio assustado

De um medonho pesadelo

De badalo de cincerro

E mugido de boiada

E relincho da potrada

Ecoando no potreiro

 

E o sono teatino

Já sacudiu os baixeiros

E me deixou no travesseiro

Remoendo minhas lembranças

E no lombo da esperança

Sai batendo esporas

Na culatra da memória

Da minha querida infância

 

Num upa voltei no tempo

De piazito carreteiro

Correndo pelo terreiro

Entre a casa e o galpão

De calça curta , pés no chão

Com o calcanhar rachado

Comendo pinhão assado

Na grimpa com meus irmãos

 

Brincando lá no quintal

Na sombra da pitangueira

Na mangueirita de tronqueira

Fechada com varejão

Onde eu menino peão

No meio do alvoroço

Reunia o gado de osso

Nos dias de marcação

 

Uma garra de pelego

Numa vara de marmelo

Era meu baio amarelo

Que eu gostava de encilhar

E saía a camperiar

Laçando touro e novilha

Com um lacito de embira

Que o vovô ensinou a trançar

 

Num relance também vejo

De avental lá na cozinha

A minha querida mãezinha

Em roda do fogão

Preparando a refeição

Um arroz de carreteiro

Salada e feijão tropeiro

E paçoca de pilão

 

Pedalando na varanda

Na máquina de costura

Apurando a rapadura

No tacho de melado

Na fornalha de assado

Atiçando o braseiro

Cuidando do pão caseiro

Alimento abençoado

 

O papai lá na mangueira

De alpargatas e bombacha

Secando o leite das guachas

Entreverado com os terneiros

Encangando os carreiros

O pachola e o chitado

O pimpão e o colorado

Pintassilgo e o letreiro

 

Atrelando dois a dois

Na carreta carregada

Para mais uma jornada

Na sagrada profissão

Transportando a produção

Pelas serras e canhadas

Serpenteando nas estradas

Empoeiradas do rincão

 

Ainda ouço o rangido

De cangalhas e bruacas

Latidos e bate patas

E o era era dos tropeiros

Dos gaudérios cavaleiros

Repontando a boiada

Em direção à charqueada

Pra diante do vilarejo

 

E no meu gauderiar andejo

Nos verdes campos dos anos

Guardo em mala de pano

A minha maior herança

Os recuerdos de criança

Do meu mundo de guri

Do torrão onde eu vivi

A minha feliz infância!

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  Autor: Antonio Francisco de Paula
Poesia enviada Por: Antonio Francisco de Paula - Brasília / DF
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28/04/2009 00:04:41 José Itajaú Oleques Teixeira - Taguatinga / DF - Brasil
Prezado Lucas Ariel. O sítio Bombacha Larga agradece a tua honrosa visita e a comunicação postada neste espaço cultural tradicionalista gaúcho. Em resposta, informamos-te que a poesia Lembranças de Guri, da autoria do poeta Antonio Francisco de Paula, pode ser declamada por peões adultos e até mesmo por juvenis, mas não por peões mirins. Saudações Tradicionalistas e um quebra-costelas cinchado a esse prezado Vivente!
Sítio: http://www.bombachalarga.org
26/04/2009 17:48:52 lucas ariel - ponta pora / MS - Brasil
Essa poesia é linda, mas é para juvenil ou mirim, se fosse declamar???
Sítio: *****
28/12/2007 11:25:29 leila dagmar mann marques - maceió / AL - Brasil
SR. ANTONIO, MUITO ME COMOVEU A SUA POESIA, A PURA EXPRESSÃO GAUCHESCA, DEU ATÉ PARA VER O "PIÁ". SÃO OS VALORES DA NOSSA TRADIÇÃO FALANDO MAIS ALTO. QUANDO LÍ O TÍTULO, SENTÍ LOGO QUE IRIA LER ALGO QUE TOCASSE NA MINHA LEMBRANÇA, PASSAVA FÉRIAS NA CAMPANHA(VACACUÁ), E REVIVÍ UM POUCO DE LÁ ATRAVEZ DA SUA POESIA. FELIZ ANO NOVO E RETORNE A NOS COMTEMPLAR COM ESTES MOMENTOS BONS. PARABÉNS!
Sítio: *****
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