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Os Filhos do Rio Grande:
Laçador

 

07/01/2008 07:04:11
EU VI
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Eu vi
Que tinham me visto
E que riam das pilchas que visto,
Dia desses na cidade...
          Senti-me tão diferente,
          De outro mundo ou continente
          Que, embora discretamente,
          Tive vergonha de mim!
 
Que estranho!
Nem "Buenos dias"
Ouvi de um lábio sequer.
Entre o homem e a mulher
Quase não vi diferenças!
De olhos desgovernados
Buscavam em rumos parados
A fuga pras próprias crenças!
 
Qual amontoados de párias
Tropeçando os próprios passos
Nos intuitos de onde ir,
Esses robôs indecisos
Não esboçavam sorrisos
Por não buscarem motivos
Ou não saberem sorrir!
 
Por certo era eu o estranho,
O objeto pesquisado,
O caso mais complicado 
No rol da psiquiatria,
Como se a psicologia
Explicasse pra razão
Que esse mundo virtual
Não considera normal
Quem cultua a tradição!
 
           Mas... caramba!
           Senti-me tão diferente
           De outro mundo ou continente
           Que, embora discretamente,
           Tive vergonha de mim!
 
Porém...
Eu sei, nos meus conceitos,
De rude filosofia
Que essa atônita euforia
De eletro-modernidade
Entre o motor e a fumaça,
Aparentemente desfaça
Um progresso que amordaça
Os gritos dessa cidade!
 
Pois essa gente não sabe
Que esse mundo cibernético
Agora sem tons e acordes poéticos
Nasceu de patas e pilchas
Que o campeiro nos legou
E que na minha indumentária
De um estranho personagem,
Apenas presto homenagem
Às origens que nos formou!
 
O mapa que foi moldado
Por nossos antepassados,
Agora já amarelado
Na solidão dos museus,
Registra pra mocidade
Que as pedras dessa cidade,
Nos topos do arranha-céu,
Foram erguidas lentamente
Por um ser também diferente
De bombachas... botas e chapéu!
 
           Mas...
           Senti-me tão diferente
           De outro mundo ou continente
           Que, embora discretamente,
           Tive vergonha de mim!
 
Por isso 
Peço perdão
Ao Senhor nosso Patrão,
De não haver percebido
Que quem zombava comigo
Por me ver assim vestido
Também sentia vergonha
De, sem rumo e identidade,
Não encontrar na cidade
O mundo perfeito que sonha!
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  Autor: José Luiz Flores Moró
Poesia enviada Por: José Luiz Flores Moró - Frederico Westphalen / RS
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17/03/2010 02:11:56 Ariel - ponta porã / MS - Brasil
Muito boa essa poesia. Gostei muito. Parece comigo. Aí me veio à cabeça: vou declamar essa poesia. E disse: sim, é muito legal e sentimental !!!
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