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Leopoldo Rassier:
Pilchas, de Luiz Coronel e Airton Pimentel

 

08/01/2008 14:28:01
O FILHO VARÃO
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Quando os primeiros fios de barba
Me mancharam o rosto
E a pompa de ser homem deu-me asas
Na nômade motriz dos meus sentidos,
Parti do rancho ninho dos meus pais
Para a odisséia homérica
De me tentar ser eu!
 
Os corredores me apontavam, como setas,
Os horizontes que enxerguei por rumo
E a cada passo em que eu perdia o prumo,
Eu colecionava encicloplédias para as metas!
 
A saudade dos grilhões divinos
Que me abraçavam no calor materno
Aquietou-se no frenesi do enlevo
Que os olhos lindos de uma campesina
Lançou, qual boleadeiras pefumadas,
Nas patas largas do meu ir teatino!
 
Juntou sorrisos em trouxas de carinho
E fez partições com meus andares nômades!
 
Meu joão-de-barro foi fazer o rancho...
A parede barreada... pau-a-pique...
Tabatinga sovada sobre os pés...
O sonho inefável de parir família
Exauria-se e renovava-se a cada afago
Nas lãs macias do pelego lânguido
Que o suar banhava nas noitas quentes!
 
Ah!
Quanta ternura quando um ventre avulta
Trazendo à tona um pedaço da gente!
Quanta euforia na expressão inocente
De se dividir para tornar-se outro
E de imaginar para o formar de um filho
A mesma liberdade e o mesmo brilho
Do céu azul que tem no olhar do potro!
 
Heveria de ser macho como eu!
O primogênito tem de ser varão...
 
A intrepridez e o caráter vêm do gene,
Mas as manhas e a destreza eu ensino.
Será gaúcho guapo esse menino,
Pois a fruta rente ao pé, deveras cai!
Será um taura... Não será maleva,
Pois eu sei que o piá eternamente leva
As coisas "buenas" que aprender com o pai!
 
Meu primeiro presente - uma bombacha
E uma camisa de brim com mangas longas
Que ele haveria de "arremangar" 
Nas tardes quentes
Em busca dos preás pelos banhados!
Depois... Um petiço patas brancas
Que o levaria, no tapete desses campos,
A conhecer os infinitos do campeiro
Para a epopéia feliz da sua infância!
 
Quando o setembro prenunciou rebentos
na aquarela magistral da primavera
A dor no ventre converteu-se em amores
E o cálice da flor abriu-se em frutos
Para a metamorfose incrível do meu ego!
 
Haveria de surgir o meu varão...
 
Ah! Sina maleva de criar visões
E expectativas pra enfurnar nos sonhos!
Nós mesmos criamos as pedras para os muros
E o nosso sol, que às vezes fica escuro,
É porque imaginamos que sempre será dia!
Não damos ênfase ao oposto, ao casual,
Não sabemos discernir o bem e o mal
Que a natureza mãe nos propicia!
 
Aquele chorinho em frenesi de vida
Nos braços da mãe, pedindo o seio,
Não me lembrou que era um macho que eu queria!
E a sua fragilidade linda me dizia
Que eu era o seu papai e ela minha filha!
Só quando a tive carente nos meus braços
E a envolvi nos grilhões dos meus abraços
Eu tive concepção do que é família!
 
Essa prendinha renovou meus sonhos,
Agora mais concretos... Mais reais...
E da vez que eu penso meu varão querido
Já não mais choro e me entristeço mais!
 
Já a vejo numa eterna primavera
Esvoaçando as tranças nas corridas
Atrás das borboletas coloridas
Com a boneca de pano junto ao seio!
"gracias"... "gracias" Senhor
Pela menina que me deste
E pela forma divina que fizeste
Eu esquecer o piazito que não veio!
 
Plantei meu pólen na flor
De uma roseira mimosa
E vi brotar, com terno amor,
Meu primeiro botão de rosa!
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  Autor: José Luiz Flores Moró
Poesia enviada Por: José Luiz Flores Moró - Frederico Westphalen / RS
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02/05/2008 17:49:00 Hildemar Moreira - Contenda / PR - Brasil
Sou pai de uma mulher que muito amo, por isso a tua poesia, caro Luiz, tocou fundo no coração.
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