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Baitaca:
A evolução me entristece, de Baitaca

 

08/01/2008 23:24:54
PATAS DE CAVALO
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Patas e patas de cavalo...
Que o trecho é vago pra quem não tem rumo
E a hora é longa pra quem não tem pressa...
 
Algumas mechas das melenas longas
E as coplas tristes do assoviar melódico
Ainda insistem em ficar pra trás!
 
Troteando absorto...
Plantando marco e vastidões de estrada
Nos infinitos que marquei pra mim,
Tomando posse de um "mundão sem fim"
Na andarenga sina de um "andar a esmo"
Campeando o mundo que sonhei um dia,
Mesmo sabendo que tudo era utopia
E que apenas fugia de mim mesmo!
 
Patas e patas de cavalo...
Que a poeira intensa dessa minha fuga
Embacia meus olhos que, parecem, choram
Todas as águas turvas do Uruguai...
 
Quem ficou pra trás?
Nem mais me lembro!
Ou, talvez, nem queira me lembrar,
Pois ao fugir destruí meus palcos
E as personagens que tive de encenar!
 
Na garupa do zaino...
As fantasias todas que montei
Nos patamares da minha ideologia
E que se transformaram, com o passar dos dias,
Nesse mundo fictício que inventei!
Por isso a cavalgada desnorteada
E a impressão de que não levo nada
E de que nada também lá deixei!
 
Patas e patas de cavalo...
Mais um haragano que boleia a perna
Nos infinitos da saudade terna
Que chora a falta desse chão divino!
Um outro maula que levanta o ninho
Na sina maleva de morrer sozinho
Pelo "me gusta" de um trotear teatino!
 
Uma mala velha de garupa
Leva prenúncios de uma viagem longa
E um bordoneio guapo de milonga
Embala o vento numa prece amiga!
Um pingo d'água no olhar distante,
Molha os rumos desse retirante
Como querendo ainda dar-me vida!
 
Salivando pelo céu da boca
O gosto verde por um mate amargo
E um atavismo, quase religioso,
À terra antiga que fez pátria em mim!
A poesia... Ah! Essa eterna poesia!
A única verdade que sobrou,
Essa sim vai comigo... Não ficou
Para mentir que eu fui poeta um dia!
 
No olhar do pingo uma jornada incerta
E um troteado manso nas patadas tristes
Como quem sabe que está errando o rumo
E que o pasto verde já ficou pra trás!
 
Na ponta de um mastro imaginário
Duas bandeiras velhas... tricolores,
Representando o amor por essas cores
Da equipe e do estado que deixei!
O pó cinzento que pra trás retorna
Dá a impressão que, aos poucos, se transforma
Em todos os troféus que eu conquistei!
 
Patas e patas de cavalo...
Que o choro do Uruguai não se ouve mais
E o treval dos campos virou cafezais
Nas granjas-latifúndio dos meus olhos!
 
Mas...
Nesse meu olhar sombrio do novo mundo,
Que eu mantenha a mesma identidade!
E que, embora os infortúnios da saudade,
Eu não me torne, jamais, um despilchado!
E que nesse êxodo involuntário
Eu seja apenas um gaúcho visionário
Desses que fazem um Rio Grande em cada Estado!
 
Patas e patas de cavalo...
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  Autor: José Luiz Flores Moró
Poesia enviada Por: José Luiz Flores Moró - Frederico Westphalen / RS
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29/05/2008 19:42:47 Edson da Silveira Reis - Rio Pardo / RS - Brasil
Muito bommmmm
Sítio: http://olho da agua
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