Usuário:
 
  Senha:
 
 

Jayme Caetano Braun:
Sangue Farrapo

 

16/01/2008 15:20:22
FEBRE AMARELA
............................................................................

Paulo Moacir Ferreira Bambil

 

Se tu achas que o macaco

Não tem nada a ver contigo

Então qual é o castigo

Que nos deu nosso Patrão?

Estou vendo todo peão

Já com o pala em farrapo

Correndo a campo fora

Sem as rosetas da espora

Perturbado ao ver o mato

E o garrão fica um trapo.

 

E o motivo é conhecido

Com medo de um mosquito

Carrega febre o maldito

Pra ninguém ele dá trela

Produtor de febre amarela

E os gaudérios desprevenidos

Que não tomaram a vacina

Estão de orelha em cima

Com o sorriso contido

A chinoca olha o marido.

 

Já morreu uns quatro ou cinco

Lá pras bandas do planalto

Tchê! E não foi por assalto

Ou por doença de mulher

E não é porqueira qualquer

Eu te digo com afinco

Sem medo de estar errado

O povo está desconfiado

Encolhendo até os pintos

E dessa coisa eu não brinco.

 

Formam bichas gigantescas

Nas portas de todo Posto

Causando muitos desgostos

Ao caudilho metido a sebo

Pois eles estão com medo

Porque também não são bestas

Procuram em todos costados

Meios de serem vacinados

Com cenas até grotescas

Sem gritos de alas-frescas

 

Tu precisas ver o desespero

No sentido da semelhança

Será que somos herança

De algum orangotango

Cruzado ao fim do fandango

Quem será nasceu primeiro?

Será que foi o macaco ou nós?

Perguntei aos meus avós

Sobre este entrevero

Sem resposta por inteiro.

 

Acredito que a ciência

Possa me dar a resposta

Por hora quem não gosta

É minha santa mãezinha

Outro dia a pobrezinha

Com toda sua experiência

Não soube explicar ao filho

Estória de macaco e caudilho

Acabou a sua paciência

Teve que pedir clemência.

 

Deste modo peguei valente

Choramingando nos cantos

Me bombeando com espanto

Questionando o assunto

Neste barco estamos juntos

Sem poder ficar doentes

E já tem índio de coragem

Pensando outras bobagens

Formando uma corrente

Plantando estas sementes.

 

Nunca vi um mosquitinho

Pegar macaco e a indiada

Dar somente uma picada

E matar de febre amarela

Os gordos e os magrelos

Mesmo junto ou sozinho

O jeito é nós não vacilar

Indo ao Posto se vacinar

Vai doer só um pouquinho

Ou perderás pro malhadinho.

 

Até dez anos fica tranqüilo

Depois tem que tomar reforço

Para não carregar no dorso

O pernilongo da dengue

Voltando a novo perrengue

Pensando sempre naquilo

Como vou ser imunizado

Com bicha pra todo lado?

Mais dez dias de cochilo

As recomendações de estilo.

 

Agora tu viste a semelhança

De nosotros e os macacos

Todos os dois somos fracos

Diante do Aedes-Aegipty

Te digo, parceiro, acredite

Não entre de novo na dança

Tanto faz... Velho ou guri

Morre com a febre do sagüi

Te vacine com constância

Leve os peões da tua estância!

............................................................................
  Autor: Paulo Moacir Ferreira Bambil
Poesia enviada Por: Paulo Moacir Ferreira Bambil - Brasília / DF
  Observações:

 
Nome:
Cidade:
Estado:
País:
E-mail:
(O E-mail não é Publicado no Comentário)
Sítio:
Comentário:
   
 
Untitled Document