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Os Bertussi:
A Volta do Tropeiro

 

20/01/2008 21:06:04
QUANDO O SUL RODOU NAS RODAS DAS CARRETAS
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No princípio...
Foram patas de cavalos
Que afundaram trilhas pelos campos virgens
E ombrearam rumos, difundindo origens,
Para a geografia de um Rio Grande outrora.
Foram passos e patas de um "vagau" centauro
Que amadrinharam esse gaúcho tauro
Para a exuberância do Rio Grande agora!
 
Logo depois, então, veio a carreta...
Incompreendidos chiados e lamentos,
Pois foi para esse choro em movimento
Que o pago primordial pediu carona
E do camarote rude de madeira
Viu surgir a pátria brasileira
Sobre essas rodas rudes e choronas!
 
E vieram rodas... E mais rodas...
O ferro do trilho e o cepo do dormente
Cortaram o silêncio do campo, de repente,
Diminuindo a distancia e os espaços!
Com rabanadas de rangido e graça,
Trasportaram o taura em rodas de fumaça,
Qual centopéia com o lombar de aço!
 
Um cavalo medonho e roncador,
Com patas de borracha e com motor,
Passou a ser mais guapo e estradeiro,
Levando o gado pra longe da invernada,
Sem gritos de "eira-boi" e sem pousadas,
Acabando com os ofícios do tropeiro!
 
E a roda rodou as engrenagens do progresso...
Impulsionando as asas dos aviões
E decretou a falência dos galpões
Que tinham por rodas só a de mates!
Mudou o visual dos conflitos e das lutas,
Acirrou a ganância e as disputas
Com outras formas apocalípticas de combates!
 
Mas a carreta... Ah! Essa é eterna!
E sempre viverá em nossa memória,
Como quem escreveu as páginas da história,
Que esse Sul legou para o amanhã.
E, mesmo carcomida nos museus,
Será o símbolo da humildade dos plebeus,
Que proscritos em guerras de titãs!
 
E quando o mundo rodar em "megabytes",
Pela virtual carreta das distâncias,
Alguém irá lembrar que nas estâncias
De um Rio Grande, que há muito já se foi,
Uma picana no lombo, que era moda,
Cutucava o progresso sobre as rodas,
Que choravam na tração lerda dos bois!
 
Por isso peço à geração que agora assume,
Com outros valores e meios de transportes,
E que têm na educação os seus suportes
Conquistados nos bicos das canetas,
Que não deixem de explicar para seus filhos
Que todos somos partes desses trilhos,
Deixados pelas rodas das carretas!
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  Autor: José Luiz Flores Moró
Poesia enviada Por: José Luiz Flores Moró - Frederico Westphalen / RS
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21/01/2008 09:55:34 Ivo Leovaldo Pires Pereira - Gravataí / RS - Brasil
Que mágnifico trabalho, somente uma mente abençoada por Deus, poderia nos presentear com esta bela e profunda poesia, nos falando de passado, presente e futuro das nossas tradições gaúchas. Um grande abraço.
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