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Os Filhos do Rio Grande:
Cheiro do Rio Grande,
de Darci Lopes

 

21/01/2008 11:29:55
MEU CACHORRO FIEL
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Dentre as lembranças que trago dos meus tempos de piá,

dos tempos que vivia lá no meu Passo do Valeiro,

relembro um velho coqueiro, com seus coquinhos de mel,

a cumprir bem o papel que lhe deu a natureza;

e, com saudade e tristeza, o meu cachorro Fiel.

 

Esta a recordação mais forte que trago daquele tempo:

um cusco novo ao relento, tapado de judiaria,

tremendo na chuva fria, debaixo de raio e trovão,

grunindo foi pra o galpão se achegando o guaipeca,

talvez por saber o sapeca que criança tem bom coração.

 

Logo lá estava aquecido, ao pé do fogo de chão;

deitado sobre um xergão tinha água, leite e comida.

Assim começava a vida um cachorro cuja história

registra passagens de glória entre aqueles que o criaram,

entre aqueles que o estimaram e o trazem vivo na memória.

 

Assim, com o passar dos dias, o cusquinho arrepiado

foi pegando bom estado, tornando-se um belo animal.

Na fuzarca era igual a qualquer guri. E o brinquedo

que eu e todo o piazedo gostávamos mais de fazer

era pô-lo pra correr, no campo, atrás de um pelego.

 

Nas campereadas ia junto, auxiliando a peonada;

trazia rês desgarrada como se fosse um peão.

Apartava vaca e capão, pra consumo, na mangueira;

e na cura de bicheira, de terneiro ou de ovelha,

firmava o dente na orelha, até ouvir o grito eira!

 

É o melhor amigo do homem! - diz a máxima popular.

É mesmo de se pensar: será o ser humano capaz

de fazer o que ele faz? De ser leal, companheiro,

de se entregar por inteiro em função de uma amizade?

Um sentimento me invade ao lembrar o seu fim derradeiro.

 

Foi no banheiro de uma estância, lá um dia fomos brincar

de carrapatos matar, banhando o gado de osso.

E eu, na rampa do poço, a minha tropita banhava.

Um a um meus bois mergulhava, quando sem querer resvalei;

por socorro ainda gritei, mas não dava mais tempo pra nada.

 

Os outros, também piazitos, ficaram olhando, parados,

de olhos esbugalhados, com a idéia meio tonta;

foi então que na outra ponta o Fiel como um raio apontou;

numa corrida louca saltou em auxílio de seu amigo,

que se encontrava em perigo; meu cachorro como um peixe nadou.

 

Nadou sentindo o veneno a lhe arder boca e focinho;

mesmo assim mordeu o colarinho da camisa e foi me puxando,

com muito esforço, nadando, até sair do outro lado.

Depois, apesar de cansado,  com ternura e carinho me olhava,

enquanto eu, agradecido, afagava o seu longo pelo molhado.

 

Mas de repente a surpresa: o meu cão amigo e valente

começou a serrar dente e a babar agonizante.

Entendi, naquele instante, que o veneno engolido

mostrava seu efeito nocivo e matava, ali, meu herói.

Por isso, ainda me dói lembrar o meu Fiel: cachorro, e amigo!

 

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  Autor: José Itajaú Oleques Teixeira
Poesia enviada Por: José Itajaú Oleques Teixeira - Guará / DF
  Observações:

Um misto de realidade e ficção, para demonstrar o grande vínculo de amizade existente entre o Ser Humano e o seu melhor amigo: o cachorro!


 
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30/12/2008 15:42:27 Ana Paula dos Santos Barbosa - Rio de Janeiro / RJ - Brasil
Só quem gosta do seu bichinho de estimação pode sentir falta quando ele se vai. A Poesia é linda!
Sítio: *****
05/11/2008 09:29:19 isabela hadassa estefani - americana / SP - Brasil
É superbonita essa poesia!
Sítio: *****
22/06/2008 00:07:47 vera Lucia - Joinville / SC - Brasil
Só quem teve um desses amigos pode entender as palavras escritas nesse poema. Não são apenas palavras, são sentimentos verdadeiros. Mas só quem algo semelhante viveu pode entender o que é ver um amigo cão nos deixar pra sempre.
Sítio: *****
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