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Grupo Rodeio:
Deus Gaúcho, de Régis Marques

 

29/01/2008 11:21:43
GUERRA E LAVRA
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Nesses tempos
Já não havia tempo para a paz...
A boiada foi pastar silêncios no fundo da invernada
O arado perdeu o jeito de brincar com a terra
As estâncias aquartelaram-se em trincheiras
E o peão campeiro se alistou pra guerra!
 
Os tiros já não partiam de laços enrodilhados
E a campereada louca dos soldados
Não procurava reses extraviadas...
 
Foi nesses tempos...
Quando o campo se feria em lança e bala
E era roçado por foices de metralhas
Que o gaúcho viu,
Sob as clareiras nebulosas das batalhas,
Alguns homens,
Mulheres e crianças
Que marchavam incontinentes
Com bandeiras e fardas diferentes
Em direção contrária a das peleias!
 
Levavam sobre os ombros as enxadas
Quais baionetas e lanças perfiladas
Seguindo clarins imaginários!
Alheios aos combates e trincheiras,
Não buscavam as terras da fronteira
E não tinham feições de adversários,
      Mas carregavam a cor do sol entre as melenas
      E se armavam de rezas e novenas
      Que desfiavam nas contas dos rosários!
 
Foi justamente nesses tempos...
Quando todos entretiam-se com a guerra
Que eles galgaram o íngreme da serra
Dependurando colônias sobre os morros!
     Tinham o céu do dia em suas peles claras
     E olhos banhados do verde que plantavam
     Nos horizontes e além que derrubavam
     Para a esperança e o sonho das coivaras!
 
Sim...
Foi justamente nesses tempos...
Quando o centauro guerreiro rio-grandense
Semeava chumbo e corpos nas coxilhas
Que o machado adelgaçou-se em lanhos e trilhas
Para fluir lonjuras ao imigrante
Que, embora sem ouvir as clarinadas,
Engatilhavam trabalho e alvoradas
Na sina aventureira de ir adiante!
 
O alambrado criou folhas e cachos
E a cabriúva dividiu-se em ripas
Pra represar os mananciais do vinho...
 
O verdor das espigas se fez loira
Para pousar no bojo do pilão
E o forno de barro engoliu brasas
Pra amorenar as dádivas do pão...
 
Enquanto a história fazia heróis e prisioneiros,
Multiplicava-se nos lares e celeiros
O milagre dos filhos e dos grãos!
 
É...
Foi justamente nesses tempos...
Quando os homens disputavam os horizontes,
Que a enxada capinou o véu dos montes
Para plantar sementes de cidades
Que nasciam com dialeto de além-mares
E exibiam nas vitrines dos pomares
Os frutos naturais da liberdade!
 
E quando o último tiro fez-se ouvir
Anunciando o final dos entreveros
E o soldado voltou a ser tropeiro,
Aquartelalo sob a quincha dos galpões,
Aqueles homens de um outro continente
Já sorviam o futuro na água quente
E nos rituais dos nossos chimarrões!
 
Agora...
Em outros tempos...
Mesclaram-se as raças e as culturas
Formando uma outra estampa de gaúcho,
Não menos guapa,
Nem menos capaz...
     Que tem nos olhos... O verdor da terra
     Na alma bélica... O furor da guerra
     E nas mãos de covas...
                                      O plantio da paz!
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  Autor: José Luiz Flores Moró
Poesia enviada Por: José Luiz Flores Moró - Frederico Westphalen / RS
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29/02/2008 19:23:55 Wanderlan Azambuja Lopes - Porto Alegre / RS - Brasil
para curti
Sítio: http://yahoo.com.br
29/02/2008 14:34:08 Hildemar Cardoso Moreira - Contenda / PR - Brasil
Justa a homenagem poética aos imigrantes de diversas orígens, que se tornaram brasileiros por opção e que hoje se misturaram aos nativos, formando assim a nossa raça augusta e varonil. Parabéns, pela belíssima poesia!
Sítio: *****
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