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Os Filhos do Rio Grande:
Cheiro do Rio Grande,
de Darci Lopes

 

04/03/2008 13:35:17
VERSOS PARA UM CANTO DE ADEUS
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Jurema Chaves

 

Hoje faz tempo, bem sei,

Muitos anos certamente...

Mas pra mim, estás presente

Em cada verso brotado.

Que nas dobras do passado

Retorna fazendo rimas,

Enquanto o fogo crepita

Labaredas em tropel;

Dança entre os dedos a caneta

Na brancura do papel,

Narrando amor e saudade,

A vida num carrossel...

 

Plantamos sonhos na terra

Florindo nas primaveras,

Perfumando nossos passos.

E na varanda do rancho

O luar amanhecia

Se diluindo no espaço,

E agora sem teus abraços

Fiquei perdida de mim,

Remendando meus pedaços...

 

Ficou somente a lembrança

No mar da minha saudade;

Quando a tristeza me invade

Busco alento na poesia.

Com tintas de fantasia

Ponho mil cores na vida,

Emoldurando miragens

Numa estrada despida.

Meus olhos, dois lagos tristes,

Chorando a tua partida.

 

Bebo silêncios na aurora,

Enquanto o vento lá fora

Traduz canções e lamentos;

Vou cevando a minha mágoa,

Buscando rumos perdidos

Como um pássaro sem ninho.

Não busco mais as lonjuras

Nas minhas asas cansadas

De percorrer madrugadas

Pelos sem fim dos caminhos.

 

Caminhos feito silêncios

Sem um ruído de passos;

Só ouço em descompasso

Meu coração torturado,

Cativo dessas paragens,

Como a esperar tua imagem

Se refletindo ao meu lado.

 

Aqui teus rastros perfumam

Um pouco mais os meus dias;

No espelho da vertente,

Onde bebias contente

A luz do sol que nascia,

Como se fosse uma estrela

Mergulhando, fugidia...

 

Por isso plantei-me aqui

Nessas lembranças de ti,

Onde ainda posso ver

Um pouco do teu olhar,

Como uma luz no poente

Lentamente a desmaiar...

 

Imagens minhas e tuas,

Pedaços de sóis e luas.

Perdido nesses confins

Estás tão longe de mim,

Mas tão perto, que te escuto;

Num farfalhar da ramagem

Uma translúcida imagem

Numa pétala de flor.

Onde me envias mensagens

De fé, de luz e amor.

 

Ainda posso te ver

Com teu jeito bonachão,

Junto ao fogo de chão

Num mate bem a preceito;

Bombachas arremangadas

E a guitarra recostada

Descansando no teu peito!

 

Ah! Como machuca a saudade!

Como dói uma partida

Inesperada... doída...

Que grita dentro da gente.

Nos olhos, duas vertentes

Gotejando silenciosas:

A falta da tua prosa

Que se calou de repente...

 

Não posso partir daqui,

Sou prisioneira de mim

Nesse pedaço do pago,

Nesses resquícios de afagos,

Que a brisa embalando traz

Numa carícia suave

Amenizando as feridas

Tão partidas, doloridas,

Com profundas digitais

Da nossa história de vida

Transcrita para um poema

Com tintas de pranto e penas...

Com notas de, nunca mais!

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  Autor: Jurema Chaves
Poesia enviada Por: Jurema Chaves - São Leopoldo / RS
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29/04/2008 14:24:16 JEH - CAPANEMA / PR - Brasil
ADOREI! MUITO BONITO!
Sítio: *****
29/04/2008 14:23:14 jeh - CAP / PR - Brasil
ASADSADSADAD
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