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Gaúcho

 

04/03/2008 14:00:18
OLHOS DE GAROA
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Jurema Chaves

 

São tão profundos os teus olhos

Inflacionados de amor:

Duas lagoas bonitas,

Onde duas luas benditas

Derramaram luz e cor,

Para confundir meus sentidos.

Coração - barco perdido -

Tentando vencer as ondas,

Na  tempestade que ronda

Meu coração sonhador.

 

Ah! Estes olhos de garoa,

Que qualquer lembrança à-toa

Já umedece a vidraça;

E quando por mim tu passas,

Fingindo que não me vê,

Baixo a cortina dos olhos

E finjo não te querer.

 

Ah! Se eu pudesse prender

Teu olhar dentro do meu,

E fingir que não percebo

Que finges que me esqueceu.

 

Quisera parar o tempo

Quando me olhas sem jeito,

Com jeito de me abraçar,

Com jeito de quem implora

Dizendo que vai embora,

Mas pedindo pra ficar.

 

Estes olhos caborteiros

Me olhando, assim, disfarçados,

Deixam os meus petrificados,

Como se um gesto qualquer

Mudasse o tempo e o espaço.

Então, me perco no abraço

Que perdi sem nunca ter,

Como quem chora sorrindo,

Como quem jura mentindo,

Eu juro que te esqueci,

Tentando encontrar um jeito

De mergulhar em teu peito

E me encontrar dentro de ti.

 

A calidez dos teus olhos,

Como remanso de açudes

Entaipados de ternura,

Azulados de aguapés;

Como bandeiras de paz

Drapejando no infinito,

E em teu sorriso bonito

Reflete o anjo que és.

 

Teus olhos são meus pecados,

Meu crime sem redenção;

O silêncio do meu sacrário:

Duas cruzes do meu calvário,

Duas contas do meu rosário,

Minha sublime prisão,

Minha lúcida loucura,

Meu abrigo e solidão.

 

Meu olhar abraça o mundo,

Mas se perde num segundo

Na busca de se encontrar,

Neste amor que é tudo e nada;

É como a luz da alvorada

Varrendo as nuvens cinzentas,

Para abrandar as tormentas

Nos recôncavos da alma.

 

É na taça destes teus olhos

Que meu olhar se embriaga,

E ao mundo inteiro propaga

O tudo, que nada tem,

Para onde vai, de onde vem,

Pois nada disso interessa.

É o tempo prendendo a pressa,

Perdido dentro do tempo.

Quando uns olhos desatentos

Se entregam por sentimentos,

É como uma eternidade

Vivida num só momento.

 

Teus olhos tão adoráveis,

Rudes, ternos, afáveis,

Mais lindos nunca encontrei

Nos sonhos que acalentei,

Em sonoros madrigais;

São as notas musicais

Da valsa que não dancei!

Teus olhos são passaporte

Para ir de sul a norte

Alando meu coração;

É beijar a lua no espaço,

É  ter o mundo nos braços

Sem tirar os pés do chão!

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  Autor: Jurema Chaves
Poesia enviada Por: Jurema Chaves - São Leopoldo / RS
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25/11/2012 17:01:36 maria da graça de souza - novo hamburgo / RS - Brasil
Amei! Amei esta poesia!
Sítio: *****
05/11/2008 13:09:39 Juliane - Bauru / SP - Brasil
Eu gostei da poesia, mas eu precisava de uma pra Prenda Mirim. Se alguém tiver, me ajude, por favor!
Sítio: *****
04/03/2008 14:17:06 Lucas Klein - Ivoti / RS - Brasil
Jurema, tua poesia me encanta!
Sítio: http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=3455746270690978496
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