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Os Filhos do Rio Grande:
Laçador

 

11/03/2008 15:19:02
DEVANEIOS
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Jurema Chaves

 

Porque tua imagem invade meu mundo,
Invade meus sonhos,
Me deixa perdida de tanta ternura,
Envolvida no poncho azul dos teus olhos,
Que às vezes, sem querer, me deixam muda;
É quase uma agonia esse sentimento,
Ouvir a tua voz, os teus apelos,
Até no sussurrar da voz do vento,
Sentir meus dedos entre os teus cabelos
E derramar em tua boca todos os meus segredos.

Abrir as asas do meu coração,
Ofertar-te meu amor, a minha vida,
Para que te arranches em meu peito,
Habitando essa planície
De ternura que há em mim;
Quero mergulhar na paz do teu sorriso,
Na cascata de amor que se derrama em teu olhar,
E, presa no laço dos teus braços,
Sonhar, voar como um colibri
Em forma de luz;
Tocar o céu com as mãos,
Nessa força infinita de amor,
Na doce harmonia que há em nós.

Por isso, venha depressa;
Galope potros de vento,
Mas chegues ao amanhecer.
Quero acordar e te ver
Trazendo o sol em teus braços;
Com respingos de sereno
O mundo fica pequeno,
Quando tenho teus abraços!


Esse sorriso de anjo,
Com trejeitos de menino;
Tens no peito uma guitarra,
Que bordoneia milongas nas rimas do coração.
O carinho silencioso do teu olhar me enternece.
A tua voz é uma prece no altar da minha ilusão.
Falas com tanta brandura
Que, olhando tua figura,
Mistura não sei do quê,
Tens o entono de angico,
Que se adona das coxilhas,
E o sangue dos farroupilhas
Timbrando aço nas veias
De quem enfrenta peleias
Mas vive semeando a paz.

Mui taura, gaúcho pampa,
Lenço vermelho ao pescoço
Garbosamente amarrado;
Um pala branco, de seda,
Por sobre o ombro, dobrado,
Com jeito de quem carrega
A estrela-d'alva nas mãos
E a bandeira do Rio Grande
No portal do coração.

Moreno, fazes minha alma
Saltar pra fora do peito
Como pássaro insatisfeito
Buscando o mundo nas asas,
Pra beijar o sol em brasa
E se banhar na imensidão;
Buscar pedaços de nuvens
Bem macias, de algodão.
E num alicerce de carinho,
Faremos nosso ranchinho
Em forma de coração
Bem no topo da colina,
Pra ver quando o sol se inclina
Beijando o verde do chão.

E quando a morte chegar,
Pra separar-me de ti,
Quero levar por lembrança
Aquela vincha de trança
Que usas presa na testa,
Só pra ter a certeza de levar um pedacinho
Da ternura, do carinho,
Em tudo que nos uniu.
Ponha, assim, entre meus dedos,
Como se fosse um rosário,
Uma relíquia de contas
No relicário sagrado
Das contas do nosso amor.

Quando o sol raiar na alma,
Dourando o lago azulado
Nas margens celestiais,
Eu te amarei muito mais,
Muito mais forte que a vida,
Pois o amor verdadeiro
Vai além da despedida.
Terás as minhas carícias
No suave toque da brisa,
Que se disfarça, desliza,
Para beijar o teu rosto.
Serei a chuva de agosto
Batendo em tua janela;
Os raios de sol, ardentes,
A te abraçar docemente
Nas manhãs de primavera.

Serei uma estrela guia
Acompanhando os teus passos
De algum cantinho no espaço,
Sobre uma nuvem, talvez;
Onde estarei esperando
Reencontrar-te outra vez.
Sentirás minha presença
Na silente madrugada,
No cantar da passarada,
No perfume de uma flor.
Até o dia, querido,
Em que irás encontrar comigo,
Pra o mate eterno do amor!

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  Autor: Jurema Chaves
Poesia enviada Por: Jurema Chaves - São Leopoldo / RS
  Observações: Poesia do Livro "Tropilha de Afagos", da autora.

 
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23/07/2012 21:31:36 gabi - bagé / RS - Brasil
Lindaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!
Sítio: *****
09/07/2012 19:54:33 Maria Rita Souza - Caxias do Sul / RS - Brasil
Que linda a poesia! Encantei-me!
Sítio: *****
08/07/2012 21:32:00 Luiza Rossetti - Boqueirão do Leão / RS - Brasil
Genteeeeeeeeeeeee, alguém me ajuda, por favor! Preciso que uma prenda declame essa poesia pra mim, serio, urgente! bj
Sítio: *****
20/11/2008 15:26:46 Jéssica Braga - Pelotas / RS - Brasil
Estava procurando uma poesia, para declamar em um Rodeio, em Cachoeirinha. Sou uma grande fã de Jurema Chaves, e quando vi a poesia Devaneios, me apaixonei mais ainda por essa autora... O rodeio é no fim de semana que vem. Depois passo por aqui, para dizer qual foi o resultado da minha declamação...
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