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Deus Gaúcho, de Régis Marques

 

18/03/2008 17:35:06
BAILE DE COLA ATADA
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Pois se vierem perguntar,
Eu ensino e não cobro nada
O que pra sociedade familiar
É coisa mais que abominada;
Pois só nas casas de “muié”,
Rancherio ou cabaré,
A gauchada arrasta o pé
No baile de cola atada.

Mas “mermão”, sem ser gaúcho,
És uma grande figura;
Até fico constrangido,
Quase perco a compostura.
Perdoa meu constrangimento,
Mas se viste em acampamento
Procede o teu questionamento
E cresce a tua cultura.

Se viste em acampamento
Da Semana Farroupilha,
Deve ser a incultura
Anarquizando a família.
Irmão, te digo que
Isto não é coisa de CTG,
Tão pouco do MTG;
E tem alguém fora da trilha.

Cultivamos a tradição
E seus valores morais.
O MTG tem um belo manual
Das danças tradicionais.
Talvez, por imaturidade,
Ou falta de capacidade,
Vão buscar na imoralidade
Os eventos mais imorais.

Como tropeiro, há 40 anos,
Fazia parte de comitiva;
Vivenciei e também vivi
Vidas promíscuas e permissivas,
Quando uns 18 eu tinha.
Dou outras fontes, além da minha,
E sem delongas e ladainhas
Eu dou outras fontes vivas.

Dou um velho tropeiro,
Que muito me representa:
O velho Leolindo, o Léo Grandi,
Este com quase noventa;
Tropeiro de toda a marca,
Este gostava da fuzarca
E por ser o dono da “guaiaca”
Diz: rabicho curto não se agüenta.

Também o Adelar Bertussi
E o Paixão, a toda prova;
O Francisco Jacques, do MTG,
O Pedro Ortaça o sangue renova,
Na chamarrita, no chamamé,
Na vaneira, como se vê,
No seu disco CD,
Que cola atada não é coisa nova.

Não use o tema cola atada
Como tradicional dança gaúcha
Nem tão pouco o bailado;
Me salva Tia Picucha.
Já lembrei do chinaredo
Do bailado e do enredo,
Onde todos mostram os segredos;
E assim dançam, “Ala Pucha”.

Mas, irmão, e a tua dança?
O teu maxixe virou é tchê!
Dá bronca, quando se dança
O maxixe no CTG;
Mas, te digo, sem espanto,
Tenho certeza e te garanto,
O maxixe vira santo
E o cola atada é o “festerê”!

Na dança do baile de cola atada
Em centro de tradição
É a apologia, tenha a certeza,
Da maldita perdição.
Pais e mães levam a família
Na semana da armadilha,
Depois vêem a própria filha
Naquela dança de antão.

Dou aqui mais duas fontes,
Estas de grandes figuras,
É de João Batista Bossle,
Autor de grande envergadura.
Nosso dicionário mais completo,
De um grupo mui seleto,
O que temos de mais concreto
Dentro da literatura.

De um Jaime, ninguém duvida
Do nosso saudoso Caetano,
Do Jaime Caetano Braun
E seu Vocabulário Pampeano.
Que diz, mais ou menos isso;
Mas porque não sei se destrincho,
E pra não me ver em enguiço
Transcrevo o maldito profano.

“– Bochincho, baile de rancho
De baixa categoria,
Vinho – cachaça - anarquia
E cordiona entreveirada.
Bochincho de cola atada
É o bailongo – onde a chirua,
Dança mais ou menos nua
E a indiada dança pelada.”

Até mudo minha rima
Pra dizer que em cabaré,
Onde se reúne a ralé,
Os bailes seguem animados.
Cintura pra baixo pelados,
Faz-se tudo o que se gosta,
Camisa com nó nas costas
E o vestido nas costas atado.

Com certeza estes meninos,

Que no improviso se metem,
Um dia irão pro brete
E pra mangueira da cultura.
E agradecerão minha postura,
Postura contundente e incisa;
É que somente na pesquisa
Se adquire, no saber, “estatura”!

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  Autor: Poeta e Pesquisador Marques
Poesia enviada Por: José Itajaú Oleques Teixeira - Guará / DF
  Observações: Fonte: http://www.associacaoipactg.com.br/pesquisas%20baile%20de%20cola%20atada.htm

 
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28/07/2008 14:41:28 Ivo Leovaldo Pires Pereira - Gravataí / RS - Brasil
Dia 27/07/2008 fui assistir uma domingueira com o Grupo Cordiona e show com Porca Véia, em um CTG de Cachoeirinha. Música Tradicionalista de primeira qualidade! Lamentavelmente muitos frequentadores dançaram de chapéu e boinas. Além disso, havia dança de mulher com mulher e a presença de uma pessoa do sexo feminino, a qual estava dançando completamente bêbada! Que tristeza ver o que está acontecendo com a nossa Tradição!!!
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