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Jayme Caetano Braun:
Sangue Farrapo

 

27/04/2008 00:41:36
FINAL DE PESCA NO TAGUARINCHIM
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Paulo Moacir Ferreira Bambil
 
Escuitando o rosnar do sorro,
Em baixo de um pé de imbira,
Beliscou de chofre uma traíra
No meu anzol, sem empate.
Evidente, não houve o engate
Da dentuça na minha linha;
Levou toda a isca que tinha,
Rapinando, que nem corvo.
Sem reação, fiquei na minha,
Esquecendo outros estorvos.
 
Mas pra tudo há recompensa,
Cumpre-se o velho ditado,
Já chacoalhou no meu lado,
O espinhel, quase sem ceva,
Espalhando toda a relva,
Da linha, guia, do esticador;
Roncou um jundiá em torpor,
Findando-se aquela sentença.
E graças ao Patrão, Criador,
A noite ficou menos extensa.
 
Solito à beira do Taquarinchim,
Descascando um fumo macaio;
Sou Gaúcho, não sirvo pra lacaio.
Opa!... Uma fisgada aparente...
Fui ver o que tinha pra gente.
E Tchê! A coisa tava pra mim.
Fiquei faceiro, e até assustado
Com a fúria de um dourado,
Vencido pelo cansaço, enfim,
De tanto vergar vara e capim.
 
Havia mais peixe no espinhel;
Recolhi, para dentro da canoa.
E quando a pesca ficou boa,
O sol apareceu num rebento,
Vindo acompanhado do vento,
Juntando graveto em rastel...
Me tapou os olhos com cisco.
Sou Missioneiro, e dos ariscos;
Não me enrolo em carretel.
Só égua é que sai em tropel.
 
Ajoujei os meus bois de canga;
Toquei de volta pro biongo.
Enchi minha cuia de porongo
Com a mais pura seiva da erva,
Sabedoria, da própria Minerva.
Tenho só o cusco, de capanga,
Pra conduzir a velha carreta.
Permeando picadas sotretas,
Chupando algumas pitangas...
Com medo de - atolar na sanga.
 
Quando chego no meu rancho
Não dá tempo de ir pro catre;
Continuo tomando meu mate.
Tenho que ir pra mangueira,
Apartar as vacas das terneiras.
Não há lugar pra descanso...
Tiro o leite, filtro em vasilhas;
O apojo,todo, fica pras crias,
Neste eu nunca me avanço;
Não me comparo a carancho.
 
Separo o leite, pra coalhada.
O restante, vou fazer queijo.
Só aí me veio um lampejo,
Dessa pescaria, em relato...
Os peixes ainda com o fato.
Era urgente fazer escamada;
Limpar todas as porqueiras.
Pois, eu não tinha geladeira,
Precisava dar a charqueada,
Pra deixar a carne salgada.
 
Só pego as coisas pro gasto,
Inclusive em uma pescaria.
Diferente de hoje em dia...
Pesca é bem outra história.
Pescador em ação predatória
Põe barco e rede de arrasto.
Degrada os rios e as matas;
Ainda sai contando bravatas.
Mas não sossego meu facho;
Eu desafio esse tipo de macho!
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  Autor: Paulo Moacir Ferreira Bambil
Poesia enviada Por: Paulo Moacir Ferreira Bambil - Brasília / DF
  Observações: “Pesque tua riqueza, sem destruir nossa natureza” – Paulo Bambil.

 
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