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Sina de Andejo, de Régis Marques

 

11/05/2008 15:36:20
PORQUE OS PADRES NÃO CASAM
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Muitas vezes, na campanha,
Eu ouvi da gauchada
Esta pergunta curiosa,
Caborteira, enluarada:
Mas por que os padres não casam?
Não têm mulher? Filharada?

Esta pergunta merece
Uma resposta completa
Que enfrene a curiosidade,
Num galope cancha reta.
Pois vou responder em versos,
Sem pretensão de ser poeta.

Se o padre não se acolhera,
É solterito no más,
Não é por ter aversão
Ao prazer que a vida traz;
Ou por pensar que as mulheres
São crias do satanás.

O sacerdote não sofre
Nenhuma anormalidade;
Não é por ser "inocente"
Que ele abraça a castidade.
O padre é um homem completo,
BEM HOMEM, barbaridade!...

Nem Cristo, Eterno Tropeiro,
Proibiu esposa aos padres:
São Pedro, seu capataz,
Pois tinha sogra e comadres...
Até hoje, lá no Oriente,
Inda se casam os frades.

A lei do padre solteiro
Veio do Papa somente,
Exigindo o celibato
Para o clero do Ocidente.
E por razões bombachudas,
De fato é mais conveniente:

A família é uma paróquia,
Que exige amor e atenções;
Exige o tempo do esposo.
E o padre se vê aos tirões;
Pra ter família e paróquia,
Só tendo dois corações.

Se o padre atende a família,
Deixa a paróquia de lado;
Não pode estar sempre às ordens
Nem pronto a qualquer chamado.
Um dia a mulher faz anos...
No outro, é um filho pesteado...

E se a família do Padre
Rebenta o freio e o buçal?
Um filho sai calaveira?
A mulher perde a moral?
Ou a filhinha do Padre
Foge com um lindo bagual?...

Admito que no futuro
Se ordene homens casados,
Que dediquem certo tempo
Para o trabalho sagrado,
Enquanto o padre solteiro
Dê o tempo integralizado.

Se o povo truca e retruca
Sustentar padre solteiro,
Gritaria vale quatro
Contra as despesas, parceiro,
Dos filhos, mulher e netos;
Escola, fogão, roupeiro...

Mais as receitas do médico,
Festança, jóias, retovo,
Casamentos, aniversários,
Viagens, brindes do ano novo...
Se a mulher do padre é fina,
Adeus guaiaca do povo...

O padre é um baú repleto
De problemas - coisa louca!...
O povo, na confissão,
Despeja tudo em voz rouca,
Pois tem certeza que o padre
Bota cadeado na boca.

E o Padre "flocha" o matambre,
Mas não destampa um segredo;
Mas ele tendo mulher,
Já deixa o povo com medo.
Não foi assim que Dalila
Colocou Sansão no enredo?

Um outro "baita" motivo
Do padre viver solito
É que ele tem alma grande,
Suspira pelo infinito;
Não pode se contentar
Com a mulher e um ranchito.

Coração sacerdotal
Não tem fronteira no amor,
Não tem cerca nem mangueira,
É campo sem corredor.
Ama a Deus e o mundo inteiro,
Ama o santo e o pecador.

Ama a criança, ama o velho,
O peão e seu senhor;
Ama o feio, ama o bonito,
Não despreza raça ou cor;
Ama os homens e as mulheres
Num único e santo amor.

Ama pois o mundo inteiro
Com ternura paternal;
Não tem exclusividade,
Não se amarra a um ser mortal,
Para se dar de corpo e alma
Neste amor universal.

Padre não é mais dono
De seu próprio coração,
Renuncia ao matrimônio,
Mas por livre decisão,
Para se dar totalmente
A Deus, Eterno Patrão.

Se esta tropa de razões,
Parceiro, não lhe bastou,
Respondo: mais um brasino
Que do lote se apartou.
É bom que o padre não case:
JESUS TAMBÉM NÃO CASOU!

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  Autor: Padre Paulo Aripe, o Padre Potrilho
Poesia enviada Por: José Itajaú Oleques Teixeira - Brasília / DF
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20/11/2008 22:28:34 Lucas Klein - Ivoti / RS - Brasil
Tá explicado, Padre! Um forte abraço!
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