Usuário:
 
  Senha:
 
 

Os Guapos:
Pot-Pourri do Chimarrão: Chimarreando Só,
Bombachudo, Doce amargo do amor,
Pra adoçar o amargo

 

22/05/2008 15:40:34
SONHOS DE UM GURI CAMPEIRO
............................................................................

Muito mais que somente um guri,
é um pequeno homem das lidas campeiras:
de calça curta e pés no chão,
na cabeça um chapéu velho de aba quebrada
- rerança do seu avô -
e, na cintura, uma cherenga,
presa num tento de couro cru.

Na escola do galpão
aprendeu a amar o pago,
ouvindo os versos de algum xirú
ou um bordonear de guitarra;
nem pensa em deixar a estância,
por povoeiras ilusões.

Os sonhos de um guri campeiro
são estrelas que se fundem
mum céu de imagens rurais,
onde, à pata de cavalo e à ponta de lança,
são luzeiros que iluminam as fantasias
e guiam os passos de um piá.

Quando um velho conta um causo,
se deixa cabrestear
pelas histórias de guerra.
E nas rodas de galpão
sonha que é herói,
de lenço colorado no pescoço,
montando o flete mais lindo,
e com a espada firme na mão.

E o guri vira soldado,
Nas arrancadas de "Noventa e Três";
é Adão Latorre, nas degolas,
frente a Maneco Pedroso,
para a bênção sangrenta,
no fio da adaga colorada.
Mas, sem entender o porquê das guerras,
Passa de Honório a Flôres;
foi chimango e maragato,
nos causos de "Vinte e Três",
pois pra ele a cor do lenço não justifica
lutar irmão contra irmão.

Não sonha com naves loucas
ou com seres de outro mundo;
viaja no lombo dos pingos,
nas cargas de lança 
e nos tiros de laço.
Era soldado e peão,
nos tempos que o fio de barba
era o documento mais honrado.

Mas...
Antes mesmo
do sol brotar por entre os cerros,
as infantis fantasias
viram terrunhas realidades:
buscar as vacas de leite,
trazer água da cacimba,
campear uma rês perdida,
cumprir a faina exigida,
porque na lida de campo
trabalho não tem idade.

Aproveita, guri!
Ainda és novo!
O teu inseguro porvir
tirará estrelas do céu,
e os teus mágicos devaneios
darão lugar a tristes realidades.
O soldado peão de teus encantos
se apagará da memória,
e as guerras fantasia
serão lutas de sustento
contra máquinas letais.

Na construção de um novo mundo
não haverá lugar para sonhos.
O teu trabalho de campeiro
vai sumir nas construções.
Sonha, sonha enquanto há tempo,
pois os sonhos acalentarão
teu futuro de incertezas!

............................................................................
  Autor: Leandro Araújo
Poesia enviada Por: José Itajaú Oleques Teixeira - Brasília / DF
  Observações: A poesia foi a vencedora da Campereada Internacional do Alegrete, do ano de 1995.

 
Nome:
Cidade:
Estado:
País:
E-mail:
(O E-mail não é Publicado no Comentário)
Sítio:
Comentário:
   
 
Untitled Document