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Conjunto Farroupilha:
Chimarrita

 

03/07/2008 13:07:24
CORDEIRO GUACHO
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Aquele cordeiro guacho,
deitado ali no baldrame,
salvei da corvada infame
numa tarde de garoa.
Andava berrando - à toa,
com poucos dias de idade,
pois ficara na orfandade,
e ali - com toda a certeza,
ia ser a sobremesa
de algum corvo sem piedade.
 
Logo que me viu - coitado,
correu direito ao cavalo.
Sou índio que não me abalo,
mas me achiquei nesse dia,
pois o pobre parecia,
solito ali no varzedo,
uma criança com medo,
quando se perde dos pais.
Nem bem o peguei - no mais,
ficou chupando meu dedo.
 
Encarangado de frio,
levei-o adiante, pra o rancho,
seguido por um carrancho
que esvoaçava, em mau agouro,
depois - o bico de couro,
a garrafa - o leite quente,
que ele chupou, como gente,
entre resmungos de choro.
 
Desde então - esse guachinho,
é mais um filho que tenho.
E de manhã - quando venho
chimarrear junto ao fogão,
corre a me lamber a mão,
se esfregando carinhoso,
assim - como piá mimoso,
quando nos pede bênção.
 
Faz artes e estrepolias,
qual o guri que não faz?
Pula, pra diante e pra trás,
quando seca a mamadeira,
entra dentro da peneira
onde debulho a ração,
sobe em cima do tição
e até me vira a chaleira.
 
E há os que não gostam de guachos,
porque incomodam demais,
talvez, porque, tendo pais,
nunca lhes deram valor,
ou desconheçam a dor
dos que ficaram sozinhos
e andam campeando carinhos
nas mendicâncias do amor.
 
Eu não fui criado guacho,
graças ao Deus Soberano.
Mamei até o sobre-ano
sem misérias nem surpresas
porém conheço as tristezas
dos guachos - sem lar nem teto
e sei que a fome de afeto
é a mais cruel das pobrezas.
 
E é por ter pena dos outros
que andam solitos na terra
que quando esse guacho berra
meu peito chucro se amansa. 
Pois eu sinto, na confiança
que inspiro ao pobre borrego,
o mesmo anseio de achego
que tive, quando criança!
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  Autor: Jayme Caetano Braun
Poesia enviada Por: Stéffani Karoline Müller - Mineiros / GO
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29/11/2012 10:02:49 Joanderson Lyiz Porto Correia. - Santana do Livramneto. / RS - Brasil
Eu tenho vários cds do Jayme. E um deles é o Paulo Costa que regravou suas poesias em ritmo de música, dentre eles o cordeiro guacho e outra da mãe crioula. No total são nove das poesias do Jayme.
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