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Deus Gaúcho, de Régis Marques

 

03/07/2008 13:24:05
GAÚCHO
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Os moços de Porto Alegre 
- escritores, jornalistas, 
aqueles que sabem tudo, 
ou pensam que sabem tudo... 
disseram que já morreste. 
Ou, então, que estás de a pé, 
sem cavalo, sem bombacha, 
sem bota, espora ou chapéu, 
sem comida e sem estudo. 
 
Moços da voz de veludo 
e máquinas de escrever, 
produzidas no estrangeiro,
dizem que tu, companheiro, 
morreste ou estás mui mal, 
porque o êxodo rural 
te atirou pelas sarjetas, 
sujo de pó e de barro, 
catando à toa cigarro 
nos becos da capital... 
 
E, no entanto, estás vivo! 
Estás vivo e trabalhando, 
e produzindo o que comem 
esses moços do jornal. 
 
Quem é gaúcho, afinal? 
 
Tenho pra mim que são três: 
um é o peão, o assalariado, 
o operário campeiro. 
O segundo é o estancieiro, 
o empresário rural. 
O terceiro é o camponês, 
que se agüenta bem ou mal 
sem ter nem peão nem patrão. 
No mais, é um homem solito, 
um carreteiro, talvez. 
 
São os homens de a cavalo 
que agarram o céu com a mão, 
rasgando fronteira e chão, 
marcando terneiro a pealo, 
bebendo o canto do galo 
no alvorecer do rincão. 
 
São três homens diferentes? 
No fundo, os três são um só: 
mesma fala, mesma roupa, 
mesma alma, mesma lida... 
Em resumo, mesma vida, 
mesmo barro e mesmo pó. 
 
Um mais rico, outro mais pobre. 
Prata, ouro, lata ou cobre, 
que importam, se homem é nobre 
e amarra no mesmo nó? 
 
A bombacha que eles usam 
tem um século; cem anos! 
Os arreios do cavalo 
são muitos mais veteranos: 
duzentos anos, talvez. 
E o chimarrão, o palheiro, 
o churrasco, o carreteiro, 
o truco a tava, as campeiras, 
a gaita, o chote inglês...? 
São dos gaúchos passados; 
já tinha em 93! 
 
E a mesma mulher gaúcha 
inspira cada vez mais. 
 
E a paisagem é sempre a mesma. 
Eterna, mas sempre nova. 
Do litoral à fronteira, 
da serra aos campos neutrais; 
das missões até o planalto, 
para frente e para o alto, 
como regiões naturais; 
do verde das sesmarias 
até o ouro dos trigais 
- as duas cores da pátria, 
que o Rio Grande esparramou 
nas plagas meridionais. 
 
Porque o Rio Grande é eterno, 
como é eterno seu luxo: 
tu não morreste, gaúcho, 
deixa que falem, no mais. 
Deixa que o fraco de sempre 
(o fracassado, o vencido) 
tente te encerrar no olvido 
que o futuro lhe promete. 
E que te chamem de Odete 
os desfibrados morais: 
no lombo do teu cavalo 
estás tão alto, tão alto, 
que a lama preta do asfalto 
não te alcançará jamais! 
 
Meu pai veio da campanha, 
com a mulher e dez filhos; 
e veio para abrir trilhos, 
foi sempre um homem de bem. 
Jamais andou mendigando, 
catando lixo nos valos 
ou toco pelas sarjetas; 
não se esqueceu das carretas 
nem do tranco dos cavalos. 
 
Nasceu e morreu gaúcho. 
Trabalhou e foi alguém. 
 
E eu herdei seu evangelho; 
me orgulho daquele velho 
- eu sou gaúcho, também! 
............................................................................
  Autor: Antonio Augusto Fagundes
Poesia enviada Por: Henrique Filho Didonne - Chuí / RS
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22/09/2014 20:50:11 ahlan - passo fundo / RS - Brasil
Parabéns! d+++
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29/06/2014 19:20:55 Wilmar Gomes Braz - Santana do Livramento / RS - Brasil
Parabéns pelo POEMA que fala com a ALMA para os que amam esse Rio Grande.
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08/12/2010 21:59:47 Bruno Vidaletti Brum - Soledade / RS - Brasil
Sobre o pai, Seu Nico diz: "Nasceu e morreu gaúcho. Trabalhou e foi alguém. E eu herdei seu evangelho; me orgulho daquele velho - eu sou gaúcho, também!" Um gaúcho ou gaucho, de fato. Acredito começar pela educação em casa e ao longo da vida na sociedade... Digo isso por que o campo virou para poucos e para muitos ficou a cidade. Mas a tradição é viva e bem viva nos livros e nas histórias de tantos gaúchos e de alguns que vivem num fundão de campo... Para mim: há o "gaucho", quase extinto pela modernidade. Com isso o "gaucho" gerou outro ser que chamamos "gaúcho". Este deve ter educação e respeito com a base que é a família e o próximo como diz o Nico na poesia e claro deve seguir lemas, estilos, costumes.......... do gaucho.
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02/03/2009 10:16:41 Francisco Mariano - Viamão / RS - Brasil
O nosso Nico Fagundes é homem de orgulhar qualquer gaúcho; sua postura frente à nossa cultura, suas raízes, seu sangue de um herói farroupilha é para mexer com a emoção de qualquer macho guapo e prenda gauchesca e brasileira. Um abraço a esse gauchão de todas as querências. Chiquinho Mariano - Viamão
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06/07/2008 16:13:12 joao vitor merlo - chapeco / SC - Brasil
Bom o site! Estão de parabéns!
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