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Os Farrapos:
Passo do Bugio

 

13/07/2008 21:54:27
DEPOIS DOS CAMPOS, TALVEZ
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Um raio coiceou no espaço,
retumbando na madrugada muda;
ficaram rastros e pêlos
bordando o chão da mangueira
e maçarocas de clinas
vestindo a nudez das tronqueiras.

Gastei léguas de campo,
sob as patas do meu zaino.
Perdi os rastros, os pêlos;
perdi meus baguais pro tempo.
Malino tempo sem pressa
que me fez tropear sinuelos
na insistência da busca.

Irmanei-me com o vento
pra vagar pelas distâncias,
rastreando rumos perdidos
nos confins dos corredores
onde não patearam potros,
somente o vazio da ausência.

Cansei do tranco do zaino,
estradeiro, moldado ao vento;
vou encurtar as rédeas
desse anseio que me arrasta
e me faz, longe do pago,
quase um escravo dessas estradas,
que deixam sulcos e dores
no corpo e na mente insana.

O telurismo me ampara
nessa distância da estância;
remôo minhas próprias ganas
quando a saudade dispara
e vai buscar noutras paragens
alento pra solidão, que embuçala o coração,
palanqueia e senta as garras.

Preciso encontrar a paz
p'ra alma inquieta que trago;
preciso encontrar um par
p'ro coração que reclama,
adelgaçado e sem dona
no relento do meu peito.

Renasço no entardecer
solito, mascando ausência,
recostado no silêncio
das lentas horas mateadeiras;
relembro domas e apartes
sorvendo goles de vida,
pra amenizar as feridas
deixadas pela saudade.

Por onde andarão meus potros,
que tinham no seu regaço
todo verdor das campinas,
matizando as xucras retinas
campeadoras de horizontes?

Sinto-me um resto de vida
repontando os cabrestos nus.
Vejo-me na paisagem de outrora
perdendo potros p'ro tempo;
e, na paisagem que me espera,
apartando estrelas no céu,
cavalgando em brancos velos
que se farão o meu chão.

Não mais sonharei aqui,
não mais sentirei saudade;
serei saudade sonhada,
pois estarei com as nuvens
vagando por outros mundos,
bombeando os potros eternos,
que se alçaram das mangueiras
dos campos e cordilheiras,
pra retoçar nas coxilhas
do sem fim desses mistérios.

Por certo verei meus baguais
pastando a paz do firmamento.
A distância se alargará
e a querência será só pensamento;
terei a lua e o sol,
para alumbrar meus caminhos,
e o capim lourando ao vento
há de deixar o meu rastro
p'ros que forem depois de mim!

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  Autor: Loresoni Barbosa
Poesia enviada Por: José Itajaú Oleques Teixeira - Guará / DF
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