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Paixão Côrtes:
Gaúcho Velho

 

20/07/2008 21:21:23
EM CADA QUARTO DE LUA
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Maria Beatriz Magalhães dos Santos

 

Com a vida na garupa
Andam duas criaturas
Entre a miséria e a ternura
No vaivém da cidade
Têm alma de lua andarilha
E vão desatando as presilhas 
Emparelhando lembranças
E aquerenciando saudades.
 
Um desses tantos que vagam
Pelas paisagens sombrias
De esperanças vazias
Deserdados – um joão ninguém!
E o seu fiel escudeiro
Um cusco bem companheiro 
Com quem divide o pouco 
Do quase nada que tem.
 
Restos de sonhos extraviados
Que nem pegadas deixaram
Sobras de um amor guardado
A espera de quem não vem
Sentimentos partilhados
Que vão erguendo moradas
Pelas ruas e calçadas
Outras taperas também...
 
Matando a fome do olhar
Dorme ao relento da noite
Imaginando horizontes
Que ainda não conheceu
Pobre andarilho “solito”
Perdido nesse abandono
Sem nunca ter tido um sonho
Que possa chamar de seu.
 
Borracho, farrapo humano
Desmerecido da sorte
Talvez, um dia foi forte
Mas a vida o enfraqueceu
Vivendo um tempo finado
Não pode mais ser moldado
Porque o barro de que é feito
Há muito já endureceu.
 
Ah! Se não fosse o “guaipeca” 
Pra preencher suas horas
Talvez tivesse ido embora
Pois a alma já se foi...
Herdeiros da mesma sina
A pobreza os ensina
A desembarcar as dores
No remanso de um depois.
 
Com o sol alumiando a cara
Tapado de judiaria
Vê raiar um novo dia
Com seu amigo festeiro
Saltitando ao seu redor
Cicatrizam-se as feridas
Em meio a tantas lambidas
Remédio em forma de amor.
 
Nas madrugadas compridas
Tendo a lua por candeeiro
Do silêncio é prisioneiro
Que a solidão o condena
Mastiga a mágoa da alma
Remenda caminhos gastos
Porque traçar novos rumos
Já não vale mais a pena.
 
Reconta os anos na tarca
E as primaveras perdidas
Vai gastando a própria vida
No desencontro das ruas
Recolhe antigas sementes
Espalhadas no caminho
Na esperança que brotassem
Em cada quarto de lua! 
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  Autor: Maria Beatriz Magalhães dos Santos
Poesia enviada Por: Maria Beatriz Magalhães dos Santos - Brasília / DF
  Observações: Poesia classificada em 3º lugar na categoria de Poesia Inédita, no 16º FEGARP - Festival Gaúcho de Arte e Tradição da FTG/PC - Federação Tradicionalista Gaúcha do Planalto Central, realizado na cidade de Luiz Eduardo Magalhães-BA. Esta é uma homenagem aos moradores de rua que, apesar de viverem à margem da sociedade, conservam ainda a capacidade de sonhar! A autora.

 
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26/01/2009 11:44:04 tais saldanha da silveira - porto alegre / RS - Brasil
Gostei muito da poesia. Tri legal, guria; tu ti puxou. Aaleu a pena eu ter lido! Muito legal!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Sítio: *****
22/07/2008 20:53:06 Paulo Bambil e Cíntia - Brasília / DF - Brasil
Oi, minha querida amiga BIA! Sem querer desmerecer as outras "Poesias" classificadas, para o meu entendimento os seus versos elucidavam de maneira ímpar uma realidade que infelizmente já está chegando às porteiras do nosso Rio Grande, portanto, e por esses novos horizontes que considero, uma poesia de valor crítico social.
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