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Os Mirins:
Respeito ao Gaúcho, de Francisco Castilhos e Albino Manique

 

24/07/2008 19:35:16
ÚLTIMO PEDIDO
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Se um dia a morte maleva

Me dá um pealo de cucharra,
Numa saída de farra
Me faça torcer o alcatre,
Me ajeitem bem sobre um catre,
Me tirem os laço das garra.

A morte é sorra mui mansa,
Comedera de sovéu,
Que vem, desarma o mundéu,
A mandado do Senhor;
Nos larga num corredor
E dá uma espantada pro céu.

Me enterrem num campo aberto,
Que eu sinta o vento pampeiro.
Em vez de vela, um candeeiro
Ao pé da cruz falquejada;
Que eu possa enxergar a estrada
Por onde passa o tropeiro.

Depois me deixem solito
Sobre o fraldão da coxilha,
Junto ao pé da coronilha,
Entre a mangueira e a tapera,
Na “estância da primavera”
Coberto pela flexilha.

Que eu ouça o berro do gado
De uma tropa em pastoreio,
Ouça o barulho do freio
E o gaguejar das cordeonas,
E retouços de redomonas
No chapadão do rodeio.

Que eu sinta o cheiro da terra
Molhada da chuva em manga,
Sinta o cheiro da pitanga
No barracão do pesqueiro,
E o canto do joão-barreiro
Trazendo barro da sanga.

Vou me juntar lá no céu,
Onde só Deus bate asa;
Não quero dar oh! de casa,
Que a porta grande se tranque,
Que me espere no palanque
Churrasco gordo na brasa.

Vou viver na Estância Grande

Deste Patrão Soberano,
Levar comigo o minuano
Pro rancho de algum posteiro,
E pedir pra ficar lindeiro
Com o imortal Aureliano.

Mas se lá não tiver carreira
Nem marcação campo a fora,
Nem índio arrastando espora
Num jogo-de-osso em domingo,
Eu quebro o cacho do pingo
E juro que venho embora!

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  Autor: João da Cunha Vargas
Poesia enviada Por: José Itajaú Oleques Teixeira - Guará / DF
  Observações: Essa poesia de João da Cunha Vargas foi gravada com a interpretação de Vitor Ramil.

 
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17/10/2008 10:08:20 joão paulo vargas - porto alegre / RS - Brasil
Eu amo demais esta poesia!!! Com muito orgulho, sou neto deste grande poeta tradicionalista e filho de Sérgio Silveira Vargas!!!
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