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Os Monarcas:
Prece Telúrica, de Arabi Rodrigues
e Luis C. Lanfredi

 

17/09/2008 14:39:08
FACA
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Antônio Francisco de Paula

 

Um palmo de folha

De puro aço temperado

Cabo grosso retovado

Com o rabo de tatu

Bainha de couro cru

De ponteira reforçada

Com capricho costurada

Pelas mãos de um chiru

 

Minha gente não confunda

Esta faca pelo estilo

Com a de Aparício Silva Rillo

Que até brigava sozinha

E que se acabou na cozinha

Desbocada, cega e velha

Nas mãos da negra Quitéria

Extraviada da bainha

 

Nem tão pouco compare

Com a famosa coqueiro

Que o Galdino companheiro

Deu a Jayme Caetano Braun

Nem com a que castrou o bagual

O belo cavalo mouro

Que vivia de namoro

Com as potrancas do Jarau

 

Esta faca lhes garanto

Que também não é aquela

Que o velho Florêncio Guerra

A mando do teu patrão

Sangrou o seu alazão

E junto tombou abraçado

Com o peito perfurado

Manchando de sangue o chão

 

Esta faca parceiro

Não é coqueiro nem solingen

Mas traz ocultada a efígie

Nas entranhas do teu aço

A figura de um índio guapo

Que peleou na revolução

De adaga firme na mão

Em defesa dos farrapos

 

É arma branca igual às outras

Tem segredos e magia

E a mesma serventia

Nas duras lidas campeiras

É fiel e companheira

Ferramenta de confiança

Da peonada das estâncias

Lá das bandas da fronteira

 

Raiz da cepa farrapa

Relíquia da tradição

Que foi benzida em galpão

Com picumã e fumaça

Ungida com sangue e graxa

Respingados no borralho

Vertidos por entre os talhos

De uma costela de vaca

 

Ao Ian Rodrigues Dias

Agradeço pelo presente

E ao Patrão Onipotente

Pela infinita bondade

Que nos conserve a lealdade

 E os tentos do laço forte

E que faca nenhuma corte

A nossa sincera amizade!

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  Autor: Antônio Francisco de Paula
Poesia enviada Por: Antônio Francisco de Paula - Brasília / DF
  Observações: Poesia do Livro MEU AVÔ, MEU MESTRE - Poesias Gauchescas, do autor.

 
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