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Miguel Marques:
No Agosto da Alma

 

29/09/2008 22:11:23
A CHEGADA DO PIAZITO
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Maria Beatriz Magalhães dos Santos
 
Para o guri
que está chegando em breve,
estou preparando uma canção bonita.
Não falarei de flores nem quimeras,
porque virá em plena primavera;
já é semente de vida que palpita.
 
Já faz muitas luas
que sovo um pelego
bordado de estrelas,
colhidas no outono
no céu da fronteira,
pra o aconchegar...
 
Pra sua noite primeira
eu teci um bichará
com as cores do Rio Grande;
não passa de um regalo,
mas eu considero um pialo
pra aquerenciar o piá.
 
A cadeira de balanço,
que guarda recuerdos mansos
de outras infâncias;
com marca e sinal,
petiço há muito domado
vem sendo encilhado
pra o novo ginete
que está pra chegar...
 
Ensaiei um acalanto,
afinei também meu canto
para os momentos de manha;
resgatei velhos brinquedos,
piões, bolitas e pandorgas.
Juntei até uns trocaditos
pra gastar com o piazito
nas horas doces de folga.
 
Mas o tempo não tem pressa;
agranda mais esta espera.
Parece que até a primavera
desta vez vem despacito.
Quero ver manhãs douradas,
com fraldas ao sol agitadas:
são bandeiras anunciando
a chegada do piazito!
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  Autor: Maria Beatriz Magalhães dos Santos
Poesia enviada Por: Maria Beatriz Magalhães dos Santos - Brasília / DF
  Observações: Poesia em homenagem ao piazito Lucas, seu neto, que em breve estará alegrando a atual querência da autora.

 
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15/11/2008 12:03:53 Paulo Moacir Ferreira Bambil - São Nicolau / RS - Brasil
Fiz questão de colocar que sou de São Nicolau, por esta cidade ser incontestavelmente a primeira querência do Rio Grande de São Pedro, bem antes de Viamão e do Porto dos Casais, para ser solidário com a escritora e poetiza Beatriz, minha queridíssima "BIA" (odontóloga), uma hermana de Artigas, que tradicionalmente é muito mais gaúcha do que até mesmo os Jesuítas e almas indígenas que atravessaram o "Passo de Santo Izidro", em São Nicolau-RS, para poder parir aqui em nossas plagas, ainda no ventre da "PAMPA", a cultura “GAÚCHA”, que este senhor(a) “ZARITA”, está convivendo hoje. Por isso e por tudo querida amiga “BIA”, achei desnecessário a tua explicação científica da formulação de teus versos, que além de serem didáticos, com certeza servirão para as futuras gerações conhecerem a cultura, a tradição, gastronomia e os bons costumes do “POVO GAÚCHO”, e que entendam os leitores, smpre faço questão de dizer que: ”Gaúcho não é uma etnia e sim um estado de espírito”, não necessariamente meu amigo(a) ZARITA, precisa ser nascido no Rio Grande do Sul, aliás, acho até que esse Torrão, já não mais cultua o “GAUCHISMO”, pois estamos vivenciando muitas contra-culturas por aí (Tchê Music, entre outros), e para finalizar acredito sinceramente meu amigo(a) Zarita, que tu não conheces e talvez nunca se interessou em saber o que é uma “licença poética”, muito embora Bia, no teu poema, muito bem fundamentado por sinal, não houve essa prerrogativa. Cinchado quebra-costelas do tamanho do Rio Grande! Payador Missioneiro.
Sítio: *****
02/11/2008 11:45:06 Maria Beatriz M. Santos - Brasília / DF - Brasil
Prezado(a) Zarita Agradeço a sua visita e a todos que carinhosamente se manifestam postando seus comentários a respeito da minha obra. Com alguns visitantes mantenho até uma certa cumplicidade pela frequência com que escrevem coisas maravilhosas que me servem de estímulo para continuar escrevendo. Por consideração a essas pessoas e especialmente a você Zarita é que venho explicar o sentido dos versos que deram origem a seu comentário. Quando se quer traduzir sentimentos, muitas vezes, temos dificuldade em encontrar a palavra certa que transmita exatamente o que trazemos dentro da alma. Em meio a um turbilhão de idéias na hora da criação, muitas vezes, buscamos palavras que transcendam a sua condição de simples vocábulo e dentro de um determinado contexto, realizem a magia de tocar a alma de quem as lê. A inspiração para as minhas poesias eu busco na simplicidade das coisas do campo, campeando palavras no universo do homem rural, no seu jeito ingênuo de falar do seu quotidiano, no seus utensílios de trabalho e sobretudo na forma sábia de se relacionar com o meio em que vive. E assim, vou laçando as palavras que entreveradas vão criando vida própria. O verso que gerou o comentário tão inadequado a este espaço cultural e deselegante com aqueles que nos visitam foi: Já faz muitas luas que sovo um pelego... o termo sovar neste contexto foi usado no sentido de amassar - no caso do pelego, tornar macia a lã, sovar com esmero como se prepara uma massa; manobra até desnecessária para um objeto que já havia sido contemplado com o brilho das estrelas do céu da fronteira - o mais belo céu desta galáxia! Foi este céu que me inspirou a escrever o poema, quando de passagem por lá, recebia a notícia da vinda do piazito numa bonita noite do mês de Abril. E o pelego é um símbolo de aconchego onde o gaúcho descansa depois da lida, refaz os seus caminhos, dorme e sonha com velhos cambichos. Assim também a cadeira de balanço foi comparada ao cavalo - companheiro inseparável do homem campeiro... de outras infâncias; com marca e sinal, as outras infâncias são os membros da mesma família (marca e sinal), inclussive a mãe do Piazito que adormecia ouvindo cantigas no trote manso da mesma cadeira. Hoje, encilhada, com forração nova para se adequar a um novo ambiente, continua sendo a velha cadeira com suas memórias. Mas na imaginação do poeta volta e meia adquire vida e galopando livre, nas amplidões serenas da distância, a procura de um ginete que a queira cavalgar. Como a interpretação é muito subjetiva sugiro que você leia agora sob um novo prisma e tenha uma interpretação diferente da anterior. Um grande abraço!
Sítio: http://bombachalarga
23/10/2008 22:26:37 Zarita - Capão da canoa / RS - Brasil
Baaaaaaaaaaa Guria! Aí pras bandas de Brasília afirma o velho ditado, cada terra com seu oso e cada roda com seu fuso; aqui no Rio Grande do Sul, PRA SE FAZER UM GURI QUEM SOVA é O MACHO!
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