Usuário:
 
  Senha:
 
 

Miguel Marques:
Alma de Campeiro

 

10/11/2008 21:12:53
OS MEUS DEFUNTOS EU LAVO
............................................................................
Quem vê estampa não encherga o cerne.
Podem ser simples, mas ninguém é grosso.
Eu os entendo, sou do mesmo saco;
Ainda hoje uso o mesmo cocho.
 
Têm seus defeitos, essa minha gente,
E mais que isso: sua própria história;
Um jeito simples de levar a vida,
Num tranco de mula, manca e estropiada.
 
Tem algum que é caborteiro.
Lombo liso, eu não dou folga.
Outros, que de tão matreiros,
Eu pego e taco na soga.
 
Quando alguém pega o rumo,
Ao se esconder ou gauderiar,
Pode contar que no rancho
Tem um bando a lhe esperar.
 
A minha gente tem cheiro de terra,
Gestos serenos, olhar sossegado.
Pelos amigos empenham a vida;
Uma palavra é fato consumado.
 
A bem da verdade, não são trigo limpo,
Peleiam fácil quando injustiçados;
Se levar com jeito, lhes colocam canga,
Mas a moda bixo... não vão nem maneados!
 
Os meus defuntos, eu lavo.
Quem pariu tem que embalar.
E da minha rude gente,
Criada pelas macegas,
Só eu que posso falar. E só!
............................................................................
  Autor: Celino Leite
Poesia enviada Por: Celino Leite - Camaquã / RS
  Observações:

 
Nome:
Cidade:
Estado:
País:
E-mail:
(O E-mail não é Publicado no Comentário)
Sítio:
Comentário:
   
 
Untitled Document