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O Doce Amargo do Amor, de Leonardo

 

14/01/2009 18:31:21
NÃO MATES O MATE
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Mate amargo, porongo, água quente,

Espaço entre a erva e a cuia curtida,

Aonde se coloca uma bomba atrevida,

De prata, com ou sem a pitanga rara,

Suga-se a infusão até numa taquara;

Degusta-se sem açúcar o CAÁ-Y

Através desse cano de TACUAPI.

Nossa história, enfim, está presente;

Não pode ser proibida por vivente

Que está de passagem nos pagos daqui.

 

A pureza da fraternidade do Gaúcho

É consolidada numa roda de mate;

Patrão, peonada e até o mascate,

Entreverados no costume milenar.

Faço crônica e me recuso a pensar

Que a cultura esteja na contramão.

Ao proibir que se tome a infusão,

Certamente tu terás outros cartuchos;

Corte o ponto, retire todos os luxos,

Mas deixes o democrático chimarrão.

 

O legado originado do índio Guarani,

Bebida típica do Rio Grande do Sul,

Tomado entre a terra e o céu azul,

Dentro da casa grande ou galpão,

É protocolo se apreciar esta infusão,

Cercada de hospitalidade e afago;

Ele traduz a simplicidade do pago

E de tudo que se produz por aqui.

Como a beleza de revôo do colibri,

O Gaúcho sabe sentir em cada trago.

 

A astúcia de um bom comandante

Tem que ter liderança com os peões.

Não há simpatia diante de imposições.

Aconselho ao gaúcho mandatário

Escutar seus eleitores em plenário,

Da cidade até a mais longínqua vila.

Saberás que a vitória é tranqüila

Em manter hoje, agora e doravante,

Chimarrão aos servidores e visitantes;

Muito melhor que o café ou a tequila.

 

De que pampa tu vieste, meu patrão?

Deixa-me pensar, enquanto ainda respiro:

De Teotônia, Colinas ou do Bom Retiro?

Nova Bréscia, Venâncio ou Travesseiro?

Pouco interessa, pretenso ledo parceiro,

Tua influência certamente é germânica;

Ainda não esqueceu a cruzada oceânica.

Lajeado? Ah! Não! - Tu és do Mato Leitão.

Arroio do Meio ainda se toma chimarrão;

Culturalmente e a singeleza maçônica.

 

Meus compatriotas gaúchos Lajeadenses,

Sei que os senhores foram agraciados.

E os índios desta pampa, desgarrados,

Procuram em silêncio humildemente;

Que fizeram de maldade a essa gente?

Tomando de assalto curumins imunes,

Apossaram-se até dos seus costumes.

Sem querer que a linhagem recompense

Os barbarismos de resultados forenses,

Retirados da idéia de alguns vaga-lumes.

 

O mate ainda é o Arauto da voz Quíchua,

Costume que passa para futuras gerações,

Mantendo acesa a chama da compreensão,

Traduz também amor, tolerância e afeto.

Não mates os avós, para agradar os netos,

Porque a resistência cultural espontânea

Deste legado já tem livros em coletânea.

Observes a cor e o formato de uma cuia:

É um coração coberto de verde Tapuia,

Unindo raças e credos em miscelânea.

 

Arrematando esta charla de histórias

Peço ao Grande Patrão dos Patrões

Que dê sabedoria aos chefes e peões,

Trabalhadores do campo e da cidade;

Sirvam esta infusão para a sociedade,

Sem discriminar nenhum vivente,

Comunidade e servidores contentes,

A atitude desta façanha em glória

Certamente ficará nos anais da história.

Talvez, tu chegues a ser até presidente! 

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  Autor: Paulo Moacir Ferreira Bambil
Poesia enviada Por: Paulo Moacir Ferreira Bambil - Brasília / DF
  Observações: Observações do autor: perdoem-me os Lajeadenses, mas acho que proibir o mate não vai fazer a máquina pública funcionar a contento. Acredito que, talvez, seja necessário o comprometimento dos servidores, inclusive do Prefeito, o qual está temporariamente representando o povo, a buscarem mecanismos para equacionar uma tradição indígena que muito bem representa a hospitalidade do gaúcho, bem como a fidelidade das coisas, dos usos e dos costumes do Pampa.

 
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03/02/2009 20:42:43 pimenta - Porto Alegre / RS - Brasil
Parabéns, Maria Beatriz: por ter mudado de conceito. No fim dos anos 70, quando estudávamos na PUC, tu detestavas peões; motivo: os mesmos tinham cheiro de burro e de cavalo! Lembra-te disso?
Sítio: *****
25/01/2009 21:22:49 Maria Beatriz Magalhães Santos - Brasilia / DF - Brasil
Linda e muito oportuna a tua poesia, Bambil. Pessoas como tu, sempre antenadas às coisas que se referem aos nossos costumes, mantém a nossa tradição viva. Os problemas dos serviços públicos não têm origem nos costumes e também não serão resolvidos suspendendo o mate. Passa por uma avaliação criteriosa dos perfis dos gestores, para saber se realmente possuem competência para assumir determinadas funções. Atribuir ao mate as mazelas dos serviços públicos é desconhecer o significado deste costume, cujo maior mérito é colocar peões e patrões em pé de igualdade, quando estão com a cuia na mão, em uma roda de chimarrão. Um grande abraço! Bia
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15/01/2009 20:19:34 Deroci Freitas de Moraes - Santa Maria / RS - Brasil
Parabéns, amigo, por abordar este tema. Acho que o chimarrão não é realmente o culpado das coisas não andarem bem em certos segmentos. Nos velhos tempos da política séria, muitas decisões importantes foram tomadas nas rodas de chimarrão. Que tal a sugestão para o patrão a quem te referes, sentar ao pé do fogo com seus peões para uma roda de mate...!?
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