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Grupo Rodeio:
Sina de Andejo, de Régis Marques

 

15/01/2009 10:32:48
CONTRABANDO
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Vai a balsa de farinha

cruzando o velho Uruguai. 

Vaqueano dessas cruzadas,

vem na popa um índio moço

manejando o varejão;

Vem atento e vem pensando:

- Vou deixar do contrabando,

não é vida pra um cristão.

Hoje vim, porque o menino

deu sumiço na chupeta

e aquele piá trompeta

saiu louco de chorão...

Sorri o moço da popa,

porque no bolso da roupa

traz o bico pro piá.

 

Houve um tiro, de repente,

vindo das bandas de lá!

Foi o tiro de sinal.

Já no mais o tiroteio

se acendeu no macegal,

pipocando seco e feio,

como entrechoque de guampas

no entrevero do rodeio,

no dia em que se dá sal.

"Mala suerte!"

A balsa vinha chegando

e a carga do contrabando,

com mais dez braças de rio,

tinha subido a picada,

da picada pra carreta

e daí  pro caminhão.

 

Houve um grito de:

"-La fresca, o Nico se lastimou!"

Mas ninguém botou tenência

no sentido deste grito,

porque a coisa vinha preta

sob o tendal de balaços,

que a guarda "ajena" estendeu. 

Cada bala que cruzava

debochava de assovio!

Quando a balsa deu no porto,

no lado de cá do rio,

o pessoal ganhou o mato,

na picada se sumiu. 

A balsa ficou sozinha,

na madrugada e no rio.

 

Digo mal: ficou o Nico,

sobre um saco de farinha

que um balaço espedaçou.

Tinha um lenço maragato

na brancura da farinha,

onde o índio se apoiou. 

Foi quando a manhã surgiu,

mostrando o sangue do Nico

pingando dentro do rio...

 

"- Menino, cala essa boca,

não demora chega o Nico;

vai te trazer outro bico,

que é pra tu não chorar mais." 

Veio a manhã, veio a tarde,

veio a boieira luzir.

Veio a noite grande e morta;

e a china veio pra porta;

e nada do Nico vir!

 

Veio um dia... outro dia...

veio outro dia, depois.

Ao pé de uma lamparina,

vela em silêncio uma china,

que de chorar se cansou. 

Numa cama de pelego

choraminga, sem sossego,

um piazito babão... 

... porque o pai não trouxe o bico;

e o que tinha, se extraviou!

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  Autor: Apparício Silva Rillo
Poesia enviada Por: José Itajaú Oleques Teixeira - Guará / DF
  Observações: A publicação atende ao pedido de C L Menchaca, formulado via chasque eletrônico.

 
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21/07/2012 15:42:12 Fabiano Ballin - Vila Rica / MT - Brasil
Buenas, Indiada!!! Realmente, uma obra que engrandece a Cultura Gaúcha. Tenho dito!
Sítio: *****
09/09/2011 04:27:16 João Moacir - venãncio aires / RS - Brasil
Parabéns pela página, muito boa mesmo. Continuem. O Rio grande agradece.
Sítio: *****
28/01/2010 22:23:06 Renato Freires - Santiago-RS/Riveira UY / RS - Brasil
Parabéns, retrata a vida do nosso povo fronteiriço!!!!!
Sítio: *****
29/08/2009 13:51:56 luiz - santiago / RS - Brasil
Versos que simbolizam mais do que a beleza da poesia gaúcha, mas a vida fronteiriça!
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19/01/2009 21:41:36 C L Menchaca - Teutonia / RS - Brasil
Quero agradecer a publicação desta poesia, a pedido meu. Já gravei no meu CPU. Um forte abraço! C L Menchaca
Sítio: *****
18/01/2009 18:00:26 euclides nascimento antunes - cascavel / PR - Brasil
Muito boa essa poesia do chiru Apparicio Silva Rillo. Esperamos que continuem enviando poesias dessa estirpe, para o nosso contentamento. Grato! Ass. Euclides
Sítio: http://bombacha larga
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