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Paixão Côrtes:
Gaúcho Velho

 

17/02/2009 17:00:03
ANDARENGO NEGRO
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Num jeitão de índio vago,

tu te achegas, no mais

- hoje meio acalcanhado,

nalgum rancho da existência.

 

Quando tua voz ecoa

nos fogões de acampamentos,

até o quero-quero voa

para o seu arranchamento;

e o vento para de soprar,

somente para escutar

tua voz de cantador...

 

Andejo...

só faz parada

num bolicho de campanha,

para tomar um trago

debruçado no balcão;

ver erva para o amargo,

que adoça a solidão.

 

Na mala de garupa:

ervas medicinais

- dessas que não se vê mais,

que mui raramente são plantadas

por mãos hábeis,

sábias, dos afazeres

pelos fundos dos quintais.

 

E quando as noites são frias,

sopradas pelo vento sul,

aparece no firmamento a lua

- Candieiro Eterno do Pago -

pra iluminar teu caminho

e aquecer tua alma chirua.

 

Então, escutas ao longe

o som da gaita,

atiçando a inspiração

que galopa na garganta.

A “lo largo” a rima desponta,

sinuelando verso e sonho;

e o eco desperta o Rio Grande,

que pra te escutar se levanta.

 

A Estrela D’alva,

gaudéria,

ilumina a idéia

do teu destino cantor!

Cada estrofe que sai no reponte

da tua voz de cantador

é um responso à querência,

razão de tua existência

e de ter nascido cantor.

 

Cantando

abre picadas

e fazes estradas

por este grande mundão.

 

Andarengo, sem parada,

faz da sombra do chorão

descanso da caminhada,

ou duma fresca ramada

retiro pro chimarrão.

 

Assim vai vivendo

Negro Guasca,

- Alma Branca do Improviso;

cantando sempre contente

nos rodeios do rincão.

É um canário que canta

invocando a tradição;

Canário que canta alegre

... Alegre, por vocação!

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  Autor: Egiselda Charão
Poesia enviada Por: Egiselda Charão - Porto Alegre / RS
  Observações: Ao trovador Canário Alegre, ADÃO BRASIL DOS SANTOS (07/02/1924-05/07/1999). Nascido em Palma, município de São Gabriel; filho de Eugênio Brasil e Marcina dos Santos Brasil; criado na campanha, estudou em escola somente seis meses. Casado com Valda Marques dos Santos, tive cinco filhos. Até 1945 foi peão caseiro, sota-capataz de estância e tropeiro, quando, então, ingressou no Exército, antigo 3. RCM, atualmente 6. Batalhão de Engenharia e Combate. Em 1946 saiu do quartel e começou a trabalhar em granjas de arroz; em 1953 foi para a cidade, passando a trabalhar como estivador. Foi radialista durante 30 anos, trabalhando como animador e apresentador de programas gauchescos na Rádio São Gabriel, entre entre os anos de 1954 e 1999, dentre os quais Inverno no Galpão, Campereando pelo Rio Grande, Rancho Alegre, Sentinela dos Pagos e Galpão da Querência, programa que encerrou sua trajetória. Apresentou-se pela primeira vez como trovador em Itaqui, no ano de 1951, trovando com “Preto Limão”, já cancheiro no improviso. Surge nessa época, quando apresentava-se em carreiras, na campanha, o apelido de Canário Alegre. Outro fato marcante desse grande trovador é que no início das suas apresentações improvisava em trovas de quatro versos e também fazia poesia de improviso.

 
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