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Baitaca:
A evolução me entristece, de Baitaca

 

19/02/2009 11:18:04
SOBERANA DAS ESTRADAS
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Carreta...

Senhora do Mundo,

viandante da História,

aos quatro cantos da terra;

rastreando derrota e glória,

cruzou mares,

varou vales,

andou mapeando detalhes,

rabiscando na memória

a marca da trajetória,

forjada a coice de boi.

 

Senhora do Tempo,

suportando sóis e ventos,

sempre agüentando o repuxo!

Ao açoite das invernias

transportaste só agonias,

rangendo triste e gemendo...

As rodas sulcando o chão

e, lerdarrona e cansada,

juntando o pó da estrada,

como viúva tristonha

amargueando a solidão.

 

Carreta...

Senhora da Estrada,

que andava incansavelmente,

vagarosa e lentamente,

como gaudério sem lei,

carregando avios de mate,

salame, farinha e charque,

tudo o mais de precisão,

à municiar  o rancherio

dos confins do meu rincão.

 

Senhora abandonada;

teu rastro...

os ventos apagaram

ou as chuvaradas levaram.

Tua rezinga se perde

 

 

 

 

na boca dos corredores;

teu vulto zanza mui lento

ao olhar de alambradores

e se perde, noite adentro,

como música ao léu,

que brota da inspiração

nas vozes dos trovadores.

 

Senhora envergada;

a tua sombra cansada

e lenta redesenha,

nas trilhas empoeiradas,

velhas glórias esquecidas.

No vai-e-vem das estradas,

conheceu cada picada.

E,  no gelo das madrugadas,

sob as duras invernias,

chora juntas congeladas...

 

Carreta...

Senhora sem luxo;

foi terno abrigo,

teto humilde e campeiro,

a rude casa do gaúcho.

 

Senhora da Guerra,

foi amparo,

foi trincheira,

foi mesa onde se delineou

o esboço do pago,

em traço austero.

E tingida do sangue guerreiro,

num genocídio feroz,

mapeou o Rio Grande inteiro

que deixaste para nós.

 

Assim,

sem nenhuma vaidade,

velha senhora sofrida,

que andejou de Sul a Norte

ao bate-cascos de boi,

te fostes para a eternidade

deixando o rastro das saudades,

na trilha dos carreteiros,

legadas para o depois...

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  Autor: Egiselda Charão
Poesia enviada Por: Egiselda Charão - Porto Alegre / RS
  Observações: Poesia premiada no Consurso de Poesia da Universidade do Vale do Paraíba, de São José dos Campos/SP; no Pealo da Poesia Gaúcha, de Alegrete/RS; no Concurso Abdala Mameri, promovido pela Academia de Letras de Araguari/MG

 
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