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Os Farrapos:
Passo do Bugio

 

19/04/2009 01:12:34
CHINA
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A maior das gauchadas,

que há na Sagrada Escritura,

- falo como criatura,

mas penso que não me engano! -

é aquela em que o Soberano,

na sua pressa divina,

resolveu fazer a china

da costela do paisano!

 

Bendita china gaúcha,

que és a Rainha do Pampa

e tens na divina estampa

um quê de nobre e altivo;

és perfume, és lenitivo,

que nos encanta e suaviza

e num minuto escraviza

o índio mais primitivo!

 

Fruto selvagem do Pago,

potranquita redomona,

teus feitiços de madona

já manearam muito quera;

e o teu andar de pantera,

retovado de malícia,

nesta querência patrícia

fez muito rancho tapera!

 

Refletem teus olhos negros

velhas orgias pagãs;

e a beleza das manhãs,

quando no campo clareia...;

até o sol que te bronzeia,

beijando-te a estampa esguia,

faz de ti, prenda bravia,

uma pampeana sereia!

 

Jamais alguém contestou

o teu cetro de realeza!

E o trono da natureza

é teu, chinoca lindaça...;

pois tu refletes com graça

as fidalgas açorianas,

charruas e castelhanas:

vertentes vivas da raça!

 

A mimosa curvatura

desse teu corpo moreno

é o Pago em ponto pequeno,

feito com arte divina;

e o teu colo que se empina,

quando suspiras com ânsia,

são dois cerros na distância,

cobertos pela neblina.

 

Quem não te adora o cabelo,

mais negro que o picumã?

E essa boca de romã,

nascida para o afago,

como que a pedir um trago

desse licor proibido

que o índio bebe escondido,

desde a formação do Pago?

 

Pra mim tu pealaste os anjos,

na armada do teu sorriso,

fugindo do Paraíso

para esta campanha agreste;

e nalgum ritual campestre,

por força do teu encanto,

transformaste o Pago Santo

num Paraíso Terrestre!

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  Autor: Jayme Caetano Braun
Poesia enviada Por: Ana Paula - Lages / SC
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