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Wilson Paim:
Prenda Minha, de Telmo de Lima Freitas

 

27/06/2006 10:40:00
ROMANCE DE ESTRADA E TEMPO
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Como rugas na testa da coxilha

Vão-se estendendo as huellas paralelas

Ocultando entre cardos e flexilha

O que a vida escreveu

Ao longo delas.

 

Quanta interrigação!

Quanta surpresa!

Quanta alegria e também

Quanta tristeza eu vi chegar

Por essa mesma estrada

Traço de união entre o meu faz de conta

E o mundo dos andantes e tropeiros

 

Quando guri

Meus olhos noveleiros

Sempre vigiando a estrada todo dia

Fui sentinela ativo deste posto

E ao primeiro sinal

Dava o alerta: vem gente! ... imaginando

Quem seria

 

Talvez aquele de língua sovada

Que trazia noticias de outras terras

Que falava de horrores e de guerras

Onde os homens se matavam como feras

Na chacina dos campos de batalha

Mortos com honra sem cruz e sem mortalha

Pátrias sem paz

Com glórias e taperas.

 

Ou quem sabe o domador de potros

Que aqui chegara com baguais por diante

E o toque do cincerro, qual magia

Tornou palpável minha fantasia

E me fez domador naquele instante...

 

Pois ao vê-lo afastar-se no outro dia

Me pareceu que era eu quem ia

Com meus baguais de sonhos

Em reponte...

 

Ou seria o ligeira da sesteada?

Tão faminto tão quieto e mal-trapilho

Ou o mascate de língua enredada

Que trazia no lombo de um tordilho

Uma carga de vidros e fazendas?

 

Meia légua do rancho até a porteira

Mas por mais longa

A trilha que o destino nos reservou

Marcada em sua poeira

Ficou ali a primeira despedida

À espera que o nosso esquecimento

Com lágrimas de chuva e voz de vento

Fosse apagando as marcas partidas.

 

O rancho é diferente

Está mudado;

Mas a estrada está igual

Não mudou nada.

 

Às vezes quando estou abichornado

Me parece que enxergo

No fim da estrada

Ressurgindo das névoas do passado

Aqueles que daqui foram embora

Pra jamais voltar

 

O forasteiro, o domador de potros,

O mascate, o ligeira...

E tantos outros

Foram deixando em mim sua influência

E me fizeram sonhador

E triste.

 

E essa ilusão

Que ainda hoje insiste em relembrar

Meus tempos de criança

Me faz pensar que tudo se repete

E a cada instante a vida nos promete

Caminhos de ilusão

E de esperança.

Nada disso passou

Nada morreu

A vida continua sempre linda

 

A estrada do meu rancho

É a mesma ainda

Tudo é igual!

 

Quem mudou fui eu...

 

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  Autor: Colmar Pereira Duarte
Poesia enviada Por: Beatriz Barbará - Porto Alegre / RS
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