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Os Farrapos:
Passo do Bugio

 

20/07/2009 13:00:54
ENCONTRO BAGUAL
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Eu te campeiriei,
a cada minuto de minha vida, 
em coxilhas de sonhos,
em meus anseios de índio xucro;
foi difícil não pensar em ti,
pois passavas por mim, sempre arisca,
apressada, vestida com alegria,
faceira, cheia de vida, feiticeira
- como uma lenda de Teiniaguá.
 
E quase todas as vezes, como sempre,
eras arredia, caborteira;
fugias de mim, disparavas campo afora
dessa vida matreira... 
Mas, quando sentia a tua presença,
tu me enfeitiçavas em todos os meus sentidos
- me hipnotizavas o desejo,
me revigoravas o meu eu,
minha alma, minha existência;
me davas esperança de ser um gaúcho feliz.
 
Eu sempre acreditei nisso,
e por isso te campeava tanto.
Minha busca era interminável – incansável.
Muitas e muitas vezes eu me perguntei
porque tu não ficavas junto a mim;
porque eras insensível ao meu querer.
Estas interrogações
me deixavam abichornado,
como João de Barro sem parceira,
solito na porta do rancho, sem respostas.
 
Judiavas os meus sentimentos,
o meu xucro coração.
Embora não me pertencendo,
eu sentia ciúmes, muitos ciúmes,
pois todos a queriam;
eras desejada por todos,
pelo pampa afora.
Andavas solta e livre,
como uma brisa de primavera
numa querência sem fronteiras,
sem pátrias, sem bandeiras.
Tu eras de todos
e ao mesmo tempo de ninguém;
eras livre pra escolher a tua morada, 
o coração, menos o meu.
Muito difícil em tê-la,
quase impossível.
Mas eu te tenteava tanto.
 
Ah! Se eu a tivesse pealado,
com certeza eu a teria maneada
em meu coração,
e não a deixaria mais sair;
serias a seiva do meu chimarrão,
a canha embriagadora,
o lenitivo para as minhas tristezas,
amarguras, traumas, desilusões...;
seria o gaúcho mais feliz do mundo!
 
Mas, na minha existência gaudéria,
nunca perdi a esperança
de a conquistar, com os meus anseios. 
Comecei, então,
a ter uma paciência de bombeiro:
sem pressa, sem amanhãs,
tentando convencer o meu íntimo,
de ponderar o meu egoísmo;
que eu tinha a capacidade em tê-la,
em te dividir nesse mundo velho sem porteira...;
com certeza, só assim o nosso encontro
seria bagual, macanudo, divino,
consistente, eterno...
 
E foi nessas campeireadas
que descobri o meu erro, 
pois eu a negaceava, nesse tempo todo,
em coxilhas erradas
- grandes invernadas de sonhos,
em fronteiras irreais,
em bruacas cheias de narcisismo,
em várzeas de vaidades,
ostentações, ganâncias...
 
Esperançoso,
mudei a maneira de ser e querer;
voltei para a realidade da vida.
Procurei-te, então, no meu rancho simples,
nas coisas boas
que acontecem em nosso cotidiano;
numa amizade sincera,
na paz de espírito,
na admiração do cantar de um pássaro,
no amanhecer do meu Rio Grande,
no mate bem cevado,
numa charla de galpão,
no encantamento e beleza
de um campo cheio de bibis,
no agradecimento do descambar do sol,
no final do dia;
no romantismo que nasce
em uma noite cheia de estrelas;
na emoção em ver um sorriso singelo
de uma criança;
num afago carinhoso - meigo;
num coração transbordando de amor...;
numa fé inabalável em DEUS.
E, por fim, te encontrei – FELICIDADE!
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  Autor: Adenir Paz da Silva
Poesia enviada Por: Adenir Paz da Silva - Brasília / DF
  Observações:

Poesia do livro Mateando Saudades, a ser lançado em breve pelo autor.


 
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