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Walther Morais:
No Arremate do Dia

 

31/07/2009 11:23:33
MEU LENÇO COLORADO
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Foto: Izan Petterle

 

Meu nobre lenço encarnado,

de velho já cheira a picumã...

presente da minha irmã,

lá nas tarcas de setenta;

não sei como ainda aguenta

tantos janeiros de trabalho,

com sol, vento, chuva e orvalho!

 

Tu pra mim és uma relíquia,

de grande valor sentimental,

gesto de carinho e amor fraternal.

Por falta das tais patacas,

comprava as pilchas, sem pressa;

porém, dentro da minha bruaca,

havia a falta dessa peça.

 

Certa feita, ainda frangote,

fui convidado pra um sarau,

na Primeira Querência do

Rio Grande: velho São Nicolau,

para ser par de uma prenda;

como eu não tinha o bendito,

provocou-se uma contenda.

 

Comprei o resto da indumentária,

mais apertado que rato em guampa;

mas melhorei muito na estampa.

E naquela noite de gala...

com o trinta cheio de bala,

ajoujado à prendinha Laura,

dos outros... eu era o mais taura!

 

O vermelho não é por acaso...

tão pouco por desacato;

sou um índio Maragato,

Colorado desde piazinho;

Tapejara, sabedor do caminho.

E pra ficar bem ratificado:

Missioneiro e mal domado!

 

Tu já estás todo furado...

do ferro e das cochonilhas,

mas é um símbolo Farroupilha,

escolhido com todo critério,

para proteger este Gaudério;

és quase um amuleto da sorte:

em peleias, já me livrastes da morte!

 

E ao te ver tão desbotado,

surrado como o Evangelho,

eu também fiquei mais velho.

O que se renova, na existência,

é o sedimento de experiências

transferidas às novas gerações,

com saudosismos e emoções!

 

Numa carpeta de truco,

quando alguém envidava,

nas cartas se misturava,

sem perder a tua cor,

pois sempre testemunhavas

a melhor de todas: “FLÔR”,

de “espadas”, sim senhor!

 

Meu cusco, outro dia,

do lenço fez travesseiro,

me bombeando, mui faceiro,

aprumado e no capricho;

devereda arrumou cambicho,

com a famosa “cadela baia”.

Oi-ga-le-tê! Isso é “rabo-de-saia”!

 

Ficaria proseando muitas horas...

meu velho lenço “colorado”,

só pra relatar nosso passado.

Eis algumas das serventias:

turbante, nos cabelos das gurias;

lático, tamueiro, fez papel de tento.

Juro! Tu jamais cairás no esquecimento!  

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  Autor: Paulo Moacir Ferreira Bambil
Poesia enviada Por: Paulo Moacir Ferreira Bambil - Brasília / DF
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29/11/2011 22:20:07 elton dos santos lopes - porto belo / SC - Brasil
Gostei muito. É um autêntico poema, com palavras certas. Parabéns!
Sítio: ht65tp://
14/12/2009 18:52:12 alice da rocha dultra - balneario arroio do silva / SC - Brasil
odiei muito grande
Sítio: *****
19/09/2009 13:32:07 nilton leal sodre - bento gonçalves / RS - Brasil
Meu grande mestre da disciplina no Exército, em São Luiz Gonsaga. Tenho visto tuas poesias. Por gentileza, entre em contato. Tenho um filho de 6 anos que já é campeão de declamação; seria uma honra se ele declamasse os teus poemas!
Sítio: *****
29/08/2009 21:35:15 Valdir Luzitani - Quedas do Iguaçu / PR - Brasil
Bela poesia! Parabéns!
Sítio: *****
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