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Os Monarcas:
Prece Telúrica, de Arabi Rodrigues
e Luis C. Lanfredi

 

03/08/2009 21:31:06
VOZES DO CAMPO
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Segunda Classe na Primeira Classe

Obra de referência: Segunda Classe (1933),

de Tarsila do Amaral (1886-1973)

Fonte: arteduca.unb.br

 

A minha alma soluça

vendo as matas devastadas

e as águas puras, espelhadas,

ficando turvas e escassas;

e, a cada dia que passa,

a prepotência vencendo,

a alegria fenecendo,

crianças em abandono.

A dor que rouba meu sono

já não encontra acalanto.

A mágoa entoa meu canto,

a voz ficando embargada,

e nos olhos da madrugada

vislumbro gotas de pranto.

      

Pelas calçadas despidas

vejo retalhos de vida,

num vai-e-vem sem destino;

o tempo leva o menino

e um velho ocupa seu posto,

com cicatrizes no rosto

e o olhar em desatino.

 

Por isso, faço um apelo

aos homens da minha terra:

não deixem o campo tapera

buscando a grande cidade;

o brilho é só falsidade

campereando estradas nuas,

frustrando os raios da lua;

e os sonhos viram saudade.

 

Conservem a singeleza

que o ruralismo oferece,

a brisa fazendo prece,

para o dueto das águas...;

aqui, só gritos de mágoas

rasgando o frio das calçadas;

outros, em celas trancadas,

perdidos sem direção,

bebendo a poluição,

sem mate nas madrugadas.

 

Por isso, meu canto-chão,

mensagem - voz-oração

emponchando os quatro-ventos,

desatando tento a tento

deste pampa coração:

que a fraterna comunhão

tenha um porvir de esperança,

e a amizade uma trança

em cada aperto de mão.

 

Quisera eu que meu verso

fosse um manto de ternura,

levando luz e cultura

e uma  ponchada  de afeto;

servisse de colo e teto

pr’aqueles que nada têm;

fazer o sonho de alguém

tornar-se realidade,

com asas de liberdade

e a Estrela de Belém;

 

que a amizade florisse

a cada abraço ofertado;

ver o Rio Grande embalado,

com simples verso terrunho;

que a bandeira que empunho

tremulasse nas alturas,

que uma chuva de ternura

se inflacionasse no mundo,

e a paz, num lago profundo,

renasça da terra pura.

 

Bendito seja quem planta,

no ventre da terra santa,

sementes de trigo e pão;

benfazejo coração

de todo o agricultor,

que reconhece o valor

no ouro dos arrozais,

cultuando seus ancestrais

sem temer sóis e geadas;

benditas mãos calejadas,

que sustem o mundo; ...senhores

dormem beijando o luar...

e acordam colhendo flores!

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  Autor: Jurema Chaves
Poesia enviada Por: Jurema Chaves - São Leopoldo / RS
  Observações: Poesia que integra o livro Versos de Amor à Terra, da autora.

 
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