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Sina de Andejo, de Régis Marques

 

14/08/2009 16:17:06
HERDEIRA
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Sou um perfil de luzeiro

do sonho de muitas eras,
que um par de amorosas vontades

tornou realidade;
doçura vertida

numa estampa de prenda,
que esta terra vai pintando

nos olhos da alma.
As sementes do homem

são plantadas no corpo e no coração;
e a nossa raça faz pauta,

pra cantar um bem querer.

Sou herdeira das sementes, das flores,

do verde da minha natureza...
e dos frutos maduros

para a sobremesa dos cansaços...
Sou herdeira da cacimba de cores,

que retratam
o meu pago e a minha gente,

na fonte dos olhos e do coração;
das mensagens de acordes,

brotados de um clarim de gaita,
com ponteios de sinuelo

de uma guitarra pampa.

Herdeira dos silêncios

e dos sonhos de vida

de tantos patrícios,
e dos ternos sacrifícios

que se fazem por amor...
Herdeira das plangências sonoras

dos sedentos de ternura
e da alegria das criaturas,

quando se encontram felizes;
das lendas e dos encantos,

formando a identidade

pra futura geração;
do sentimento de saudade,

matizando um por de sol,
e do clarão de arrebol,

acendendo a inspiração

dos poetas de rebeldia,
na ancestral teimosia,

no rastro do boi barroso.

Herdeira das vigílias cansadas,

nas caladas da noite,
quando o açoite do sobressalto

fustiga a imaginação...
ninando uma canção,

para quem tanto se ama...

escutando o vento...
enquanto a lua ruana da estação

descambou no firmamento...
Herdeira da magia

da terra, da água, do sol,
da boieira - olhos de luz –

... infinito sentimento...
da sina de uma raça,

que tem raízes, história

e um futuro!

Então, olhe para o infinito

e pinte a pauta do meu grito!
Ouvirás um clarim

e um tropel de cavalo...
verás um gaúcho pilchado,

como um guerreiro farrapo
clamando por liberdade...
E este será meu filho!

O herói da minha alma!
E na minha intuição feminina
afundarei atalhos de desvelos,

nas horas de vigia...
daqueles fins de tarde

que se olha para o horizonte,
atirando o laço do pensamento,

para alguém que partiu

e não voltou...

A prenda herdeira

guarda um fogo de chão,
aceso com os tições

da coragem... no peito...
uma cuia bem cevada

com mate doce,

para a seiva da vida...
e um mate-amargo

para mim mesma,
com as lágrimas fervidas

na cambona dos desenganos

e desventuras.

E assim,
quando o senhor tempo toldar

a trajetória do meu destino,
olhem bem para o poente...
no encontro das duas sesmarias

- formando um mapa -
... verão um mastro se erguendo

à beira da cacimba de aquarelas
e, saindo de dentro dela,

um arco-íris... (testamento)
... com as listras

da nossa bandeira farrapa.
Então, a saudade me fará adormecer,
ninando a inocência

da minha bruxinha de carinhos...

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  Autor: Francisco Miguel Scaramussa
Poesia enviada Por: Bombacha Larga - Brasília / DF
  Observações: Poesia interpretada por Gisele Lima.

 
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