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Deus Gaúcho, de Régis Marques

 

21/08/2009 06:06:50
NA PAREDE DE UM MUSEU
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A lua nova nascendo,

na parede de um museu...

 

A meia-lua deitada,

sangrada por uma chuza

- doble moharra perdida -

da lança desconhecida,

num tempo que não é seu...

... lembrando a mente cansada,

que eu também ando perdido,

com saudade de outros tempos,

num tempo que não é meu.

 

O cabo de guajuvira,

de tanto ser empunhado,

tem o mesmo brilho vítreo

- sovado à força de couro -

do pescoço de um palanque...

... cada nó que guarda o cabo

são restolhos de passado

num futuro itinerante.

 

Aquela lança é um resumo

da memória dos andantes!...

 

A ponteira que, outrora,

rasgou carne e feriu sonhos;

hoje, passa indiferente

aos olhos de tanta gente,

que não sabe o que era o tempo

em que brigar era regra,

e em que morrer era fato

consumado e bem aceito,

com honrado destemor...

... e viver era uma guerra

destinada a ser vencida

pela força de vontade,

a coragem e o valor.

 

Aquela lança é um exemplo

de fé, de força e vigor!...

 

E como arma, que era,

destruiu e machucou,

por qualquer extremidade...

... o cabo calava a bota

e calejava a mão rude....

... a ponta rasgava carnes

e fraturava ossamentas,

num tipo de ferimento

que alcançou, numa arma branca,

a maior intensidade.

 

Aquela lança é um aviso,

cabresteando a realidade!...

 

Aquela lança retrata

o que fomos e o que somos...

... cerne e aço... templa e chama...

... e o verbo, como um lançaço,

na mesma extensão do braço,

que tanto machuca e mata

como acalenta e irmana.

 

Aquela lança regressa

os olhos de quem a vê,

com a lente do passado,

a um tempo que imaginamos...

... aquela lança transporta,

num voo de pensamento,

nossos caudilhos recuerdos

a um tempo com que sonhamos.

 

Aquela lança convida

nossos quereres vaqueanos!...

 

O que tanto representa

ao sentimento crioulo!...

O que tanto simboliza

a vontade deste povo,

de ser pátria e de ser grande.

Hoje, repousa esquecida

e passa, aos olhos de tantos,

em total indiferença!...

como tantos desvalidos

e abandonados da sorte...

... o cerne, o aço e a força

da nobre raça campeira.

 

E o meio-olhar dolorido,

na meia-lua deitada,

da lança desconhecida,

verte lágrimas de sangue,

de saudade de outros tempos,

num tempo que não é seu...

... e o meu olhar dolorido,

que também anda perdido

num tempo que não é seu;

salga o rosto de saudade,

vendo a imagem esquecida

da lua nova, morrendo,

na parede de um museu!

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  Autor: Guilherme Collares
Poesia enviada Por: Cássio Lopes - Candiota / RS
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