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Leopoldo Rassier:
Pilchas, de Luiz Coronel e Airton Pimentel

 

01/09/2009 12:02:57
O SÉTIMO DIA
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O sétimo dia chegou cedo...
cedo demais, ou me perdi nas contas.
E eu aqui, sem uma flor sequer;
sequer um choro, pra lavar minha alma;
algum bilhete ou um adeus qualquer.

O sétimo dia chegou cedo,
tranqueando, num soluço costumeiro,
que desta vez abarrotou meu sonho
no abismo tristonho de onde veio.

 

Chegou cedo. Mas chegou tão calmo,
que eu sequer me dei conta da importância
e da real noção dessa distância,
quando o mundo se mostrou a sete palmos.

A vida inteira continua a dança;
moças sorriem, moços campereiam;
aves revoam, potros corcoveiam;
o sol rebrilha no espelhar dos rios;
e eu, penando neste fundo frio...

Pelo meu nome, dois ou três rezando;
mas essas rezas vão se extraviando,
pois minha alma é um surrão vazio!

Se meus olhos não mais tinham estradas,
meus olhares, então, vieram comigo...
trazendo cada sombra disfarçada
de um sonho, que ficou junto à ramada,
num tempo que há tempos foi perdido.

 

A terra não protege das distâncias,
onde o tombo marcou cartas jogadas,
onde a cincha correu, desesperada,
pras virilhas do sonho caborteiro.
Uma fome tomou-me por inteiro
e ficou ruminando minhas idéias,
um tanto indigestas por sinal...
Foi, então, que há exatos sete dias
deixei a vida pra virar poesia,
num desespero que se fez final.

 

O sétimo dia chegou cedo;
podia ter demorado tantas eras...
podia ter me livrado das esperas
e das matilhas do meu coração,
que, ainda hoje, neste abismo fundo,
devoram as lembranças de outro mundo,
e me perseguem nesta solidão.

 

Nenhuma nuvem no céu...;
o céu do sétimo dia,
pintado a raios de sol...,
uns sete dias depois
que a esperança se foi.
E eu, sangrando por dois,
me fiz um peixe no anzol.

 

Meu funeral foi bonito:
com pompa, com circunstância;
circunstancial esta dor...
Há sete dias atrás
disseram: - Descanse em paz!
E eu, do meu nunca mais,
tremi de frio e pavor...

Disseram: - Descanse em paz...;

como pudesse haver paz,
pra quem morreu por amor!

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  Autor: Carlos Omar Villela Gomes
Poesia enviada Por: Bombacha Larga - Brasília / DF
  Observações: Poesia interpretada por Érico Machado Bastos, com o amadrinhamento de Geraldo Trindade, na 13ª Quadra da Sesmaria da Poesia Gaúcha, setembro de 2008. Fonte www.sesmaria.org.br

 
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