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Walther Morais:
No Arremate do Dia

 

03/09/2009 21:18:06
LOUCA
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Louca?
Por que será que sou louca?
Será porque ando lendo
tantas sílabas de lua
nos versos dos pirilampos,
que decifro pelos campos
pra ser trova em minha boca?
 

Ou, nas noites de verão
bordo luar no vestido,
ponho estrelas nos cabelos,
em estranhas atitudes...;
ao banhar-me de poesia
no céu que fica invertido,
cintilando refletido
nos espelhos dos açudes?

 

Louca?
Por que será que sou louca?
Será porque me interno
num mundo de fantasia,
entre o horizonte e o galpão?
Ou, pelas manhãs de inverno,
sou a noiva abandonada
arrastando nas canhadas
o seu véu de cerração?

Ou porque, quando amanhece,
abro os olhos e a cancela,
pra deixar entrar o sol...;
e, enquanto a manhã se cora,
me emolduro na janela
sorvendo a luz da aurora,
num mate cevado a gosto
com jujo do arrebol?

 

Louca?
Por que será que sou louca?
Porque envolta em lonjuras
deliro com a ternura
da primavera rural?
Ou porque, quando me encanto,
adormeço ouvindo o vento
declamar no cata-vento
estrofes de temporal?

 

Talvez seja pelo fato
de povoar a solidão
com lembranças de alguém...;
ou de andar gastando a vida,
sendo a moça prometida
desse moço que não vem...;
por bordar um enxoval
com lágrimas e esperança,
ou enxergar com alma
o que os olhos não veem?

 

Eu até posso ser louca
por ter crises de ternura,
quando tantas criaturas
declinaram de seus sonhos
e só vivem por metade,
por achar que a realidade
só transita no visível...
Pois há muito me disponho
a encantar os infortúnios,
vivenciando os plenilúnios
sobre as flores dos lençóis
nos meus sonhos de menina,
quando a lua se ilumina
pra acordar os girassóis.

 

Louca?
Será que me dizem louca
pelo doce desespero
de perseguir o cincerro
que bate no coração?
Ou nunca fechar a porta,
a esperar quem não volta
com arco-íris nos olhos
e margaridas nas mãos?

 

Ah! O amor é um luzeiro,
que toda vez que alumbra
traz o céu para a penumbra,
pondo estrelas no candeeiro;
é encontro e desencontro,
numa ausência tão presente,
que faz a vida da gente
viver na vida do outro;
estabelece critérios
e tira a gente do sério,
por seguir o coração...;
é transpor o concebido
ao encontar um sentido,
para perder a razão.

 

Não sei se perdi o tino
ou se foi que me encantei
de amor em desvario...;
só sei que nas noites claras
a loucura me ampara
e vejo o que ninguém viu:
enquanto o céu chove estrelas,
a lua dança no rio...

 

Pode ser que eu seja louca,
mas tenho cá minhas causas...
A vida é bela e tão pouca,
pra viver presa “nas casa”.
Pois, quando ando no campo
e vou além da porteira,
o meu olhar com goteiras
se acende de pirilampos...

 

Louca?
Concordo que seja louca,
porque invento quimeras
na crença dessas esperas
que chegam ao sol se pôr...
Porém, prefiro sofrer
desta loucura sadia,
que encanta de poesia
e enche o mundo de cor,
do que passar pelos dias
sem conhecer a magia
que enlouquece de amor!

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  Autor: Vaine Darde
Poesia enviada Por: Bombacha Larga - Brasília / DF
  Observações: Poesia interpretada por Karin Burtet, com o amadrinhamento de Lucas Volpato, no violão, e Suelen Caprara, no violino, na Sesmaria da Poesia Gaúcha. Fonte www.sesmaria.org.br

 
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