Usuário:
 
  Senha:
 
 

Conjunto Farroupilha:
Chimarrita

 

09/09/2009 01:25:38
A CANÇÃO DO TEMPO QUE NÃO VIRÁ
............................................................................

 

 

Todas as bocas só me pedem versos,

como se de versos fosse todo eu feito:

a goteira do rancho; o menino sem livro;

o chão sem semente; a boca sem riso;

a rede sem peixe; o enfermo sem leito;

o rancho com fome; o livro mais caro;

a semente com dono; o riso com uísque;

o peixe com preço; o leito com lã...

 

E, então, me perguntam porque faço versos,

que gemem de dor; que choram de ódio;

que geram silêncios; que babam consciências;

que abortam questões; que fundem idéias;

 

e, a todos, eu digo

que somos irmãos;

que os versos que faço

me veem de seus olhos:

de mães que amamentam,

sem leite nos seios;

de pais que derretem

energias na luta;

de meses contados

com baixos salários;

do brilho do esmalte,

de mãos femininas;

da moeda que lembra

os burgueses redondos;

de todas as formas

que deram ao Cristo!

 

Os versos que fiz caminham sozinhos;

e a mim já voltaram milhares de vezes,

em forma de voto!

 

Eu sou a tribuna da voz dos humildes;

sou praga escaldando a grande mentira

de todo o que colhe, sem nada plantar!

 

Eu quero o Direito, a Verdade, o Amor!

Eu quero arrancar do olhar da Justiça

a venda que a impede de ver o que vejo!

 

Lauro Rodrigues

 

* Vejas Rodrigo Medeiros declamando a poesia

no Programa Galpão Nativo,

no seguinte endereço eletrônico do YouTube:

http://www.youtube.com/watch?v=SMksyn-lYcY

............................................................................
  Autor: Lauro Rodrigues
Poesia enviada Por: Maria da Graça Rodrigues - Porto Alegre / RS
  Observações: Esta poesia meu pai fez para o amigo e já falecido Jorge Alberto Mendes Ribeiro, e foi publicada no livro intitulado "Canção das Águas Prisioneiras", editado por Martins Livreiro, no ano de 1978. Maria da Graça Rodrigues. Obs. do Bombacha Larga: a poesia foi publicada, com a valiosa contribuição da filha do poeta Lauro Rodrigues, Maria da Graça Rodrigues, em atenção ao pedido da prezada visitante Silce, de Irati-PR.

 
Nome:
Cidade:
Estado:
País:
E-mail:
(O E-mail não é Publicado no Comentário)
Sítio:
Comentário:
   
 
26/05/2010 17:37:13 vorlei rodrigues de brum - novo hanburgo / RS - Brasil
Cresci ouvindo meu pai declamar a poesia Saudade e me fiz um grande admirador de Lauro Rodrigues. Visitando esta página, fiquei muito feliz por saber da existência de uma filha do grande Lauro Rodrigues. Transmitirei esta notícia a meu pai, hoje com 89 anos, mas ainda declamando SAUDADE. 22/05/2010
Sítio: *****
20/04/2010 19:46:05 Paulo Monteiro - Passo Fundo / RS - Brasil
Prezada Maria da Graça Rodrigues. Adquiri toda a obra poética de seu pai. Li e estou meditando sobre ela, pois pretendo incluí-la num livro que estou preparando. Estive recentemente em Porto Alegre, na Assembléia Legislativa, mas não consegui seu endereço, pois necessito de mais dados biográficos sobre Lauro Rodrigues. A influência dele sobre os "criadores" do moderno Movimento Tradicionalista Gaúcho é maior do que se possa imaginar e do que a "história" registra. Ademais, foi um dos primeiros críticos dos caminhos que o Movimento estava tomando. Sobre isso existe um poema em Senzala Branca. Meu endereço postal é o seguinte: Paulo Monteiro - Caixa Postal 462 - CEP: 99001-970 - Passo Fundo - RS. Um grande, fraterno e agradecido abraço do Paulo Monteiro.
Sítio: http://apl
28/01/2010 23:21:39 Maria da Graça Rodrigues - Porto Alegre / RS - Brasil
Sr. Paulo Monteiro, boa noite! Muito me orgulho pela menção feita ao meu pai. Agradeço a sua gentileza!!! Um respeitoso abraço!
Sítio: *****
16/01/2010 12:09:00 Paulo Monteiro - Passo Fundo / RS - Brasil
Lauro Rodrigues é um dos mais importantes poetas gauchescos de Língua Portuguesa, por dois motivos: pela qualidade literária de sua obra e pela divulgação que fez da música e da poesia que cantam o homem do Rio Grande. Paulo Monteiro, presidente da Academia Passo-Fundense de Letras
Sítio: *****
Untitled Document