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Os Filhos do Rio Grande:
Cheiro do Rio Grande,
de Darci Lopes

 

27/06/2006 10:49:47
LENDA DO QUERO-QUERO
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Nos velhos tempos de antanho, 
quando o campo era sem dono
O guasca era um rei no trono 
verde-escuro das coxilhas...
Sua corte eram tropilhas
selvagens dos potros bravos.
O pampa não tinha escravos, 
onde tudo era igualdade, 
E o pendão a Liberdade !
A espora que retinia, 
a garrucha, a lança esguia
a boleadeira e os cavalos,
eram somente os vassalos
que o gaúcho conhecia.
 
Mas um dia a prepotência 
mostrou as garras malvadas!
Banhou de sangue as estradas, 
cobriu de luto a verdade,
e em troca de liberdade, 
trouxe grilhões de negreiro.
Porém o guasca altaneiro 
boleou a perna no pingo,
E foi pra luta sorrindo, 
porque o destino mandou.
Muito gaúcho tombou, 
mas, entre os guascas sombrios,
a prepotência caiu 
e a liberdade ficou!
 
E no lombo das coxilhas,
no largo dos descampados,
cabos de lança, quebrados, 
apontavam cemitérios.
E os quero-queros gaudérios, 
por sobre aquela tristeza, 
pairavam sua nobreza, 
como por artes divinas.
 
E, descendo nas campinas 
por onde o sangue rolou,
Um bando imenso pousou
e embaixo d'asa escondidas,
guardavam as pontas perdidas 
da lança que o índio amou...
 
Agora, pela amplidão,
na coxilha e o pampa enorme
o quero-quero não dorme, 
como eterno guardião.
 
Às vezes, na noite escura, 
Como um grito de amargura,
estridula seu cantar...
É a alma de algum gaúcho, 
que, num último repuxo, 
se levantou pra pelear!
 
E qual um centauro alado
que se ergue do banhado 
cavalgando uma ilusão,
voará, como a esperança,
guardando, à ponta de lança,
a Gaúcha Tradição! 
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  Autor: Glaucus Saraiva
Poesia enviada Por: Beatriz Barbará - Porto Alegre / RS
  Observações: O BL agradece a prestimosa colaboração da Prenda Gaúcha Beatriz Barbará, de Porto Alegre, cuja contribuição servirá, certamente, para a iniciação de outros declamadores e declamadoras da nossa Poesia Gaúcha!

 
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