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Deus Gaúcho, de Régis Marques

 

18/11/2009 23:27:27
A VOZ DO PAI
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O pai, em casa, era uma autoridade,

dizia o que podia e o que não podia;

determinava o certo e o errado.

A voz do pai era uma voz sagrada: 

grave, pausada para dar conselho;

firme e bem forte, pra passar as ordens.

A voz do pai sabia contar causos...

causos que ouvira seu pai contar.

 

Era uma vez... E lá vinha uma história...

com bichos que falavam, gente que voava,

magos poderosos e casas assombradas.

E a gente, tão criança e inocente,

galopava na garupa da imaginação. 

Quanta emoção a voz do pai nos transmitia.

À mesa, hora da janta, ninguém se servia

antes de ouvir o pai, rendendo graças.

E a família, reverente: olhos fechados;

ao fim arrematava num... amém!

 

E os versinhos que o pai dizia,

ninguém sabia tantos quanto ele:

Eu sabia tanto verso,

eu sabia um saco cheio;

as formigas me bateram,

me deixaram pelo meio. 

E às vezes... às vezes o pai cantava;

e o pai cantando era a cantiga mais linda que eu ouvi....

Modinhas, hinos, ternos oilarai... e a filharada fazia coro;

e cada um, com sua voz, queria imitar a voz do pai.

 

A voz do pai tocava os bois na canga:

Barroso!... Cola branca!... Êra boi!...

E chamava o cavalo no potreiro: ô, ô, ô, ô;

e atiçava o cachorro nos gambás:

fiu, fiu, fiu, fiu, pega, pega, pega...

E os bichos - até os bichos! -

conheciam e obedeciam aquela voz...

 

A voz do pai tinha hora pra tudo;

pra dar uma risada de um causo bem contado,

ou pra ralhar se a gente desleixava...

Barbaridade!

Quando aquela voz trovejava uma ameaça,

fazia a gente estremecer de medo;

talvez fosse melhor dizer: respeito!

 

A voz do pai só nunca soube se queixar de nada;

gemer até podia, se a dor era muita;

chorar se permitia, pelo sentimento.

Mas um queixume, uma lamúria ou maldição,

isso jamais se ouviu da voz do pai.

 

A la pucha...

Parece que foi ontem...

É tão viva a lembrança,

que parece que ainda ouço tua voz,

meu velho! 

E, às vezes, quando falo com o meu filho,

dou rédea ao sentimento; e o som que sai

me faz escaramuçar o coração no peito...

pois ouço, de mim mesmo, a voz do pai!

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  Autor: Odilon Ramos
Poesia enviada Por: Tradicionalista - Ijuí / RS
  Observações:

A poesia é mais indicada para a declamação de peões adultos.


 
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25/09/2010 10:20:20 Lauro C. Pedot - G. Vargas / RS - Brasil
Uma da melhores poesias que já ouvi sobre o respeito aos pais! Este site é ótimo.
Sítio: *****
02/02/2010 14:52:11 mariélle - Guaporé / RS - Brasil
Muito buena essa poesia! Gostei muito!
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