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Baitaca:
No meio dos Quatro Ventos

 

09/03/2010 09:34:39
MEU VELHO
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Paizinho, tanta saudade
eu sinto da tua alegria;
desde que raiava o dia
até que a noite chegava
tu sempre trabalhavas,
com um sorriso no rosto.
E, hoje, eu vejo desgosto
refletido em teu olhar;
minha vontade é chorar
e te abraçar com carinho,
meu querido papaizinho
com tanto amor pra me dar! 

Te olho e vejo o passado,
quando me erguia nos braços,
esquecendo o teu cansaço
pra me cobrir de cuidados;
ó meu paizinho adorado,
centro do meu universo,
pra ti, escrevo esse verso,
lembrando o nosso passado. 

Tanto amor, tanta  ternura,
que tu me transmitias;
assim, feliz eu crescia.
E o tempo passou correndo,
tu fostes envelhecendo,
mas eu não compreendia
porque aquela alegria,
aos poucos, foi se perdendo. 

Tu brincavas comigo
e me fazia dormir.
Nunca deixei de sorrir;
pra mim o mundo cantava,
quando tu me embalavas,
ou me ensinava a rezar,
pra o bom Deus abençoar
sementes que tu plantavas. 

Eu fico te admirando,
me perdendo nas lembranças;
eu vejo aquela criança,
que pra os teus braços corria,
buscando todos os dias
o afeto, a segurança;
no futuro a esperança
de quem plantava alegrias! 

Os teus cabelos branquearam
na tempestade do tempo;
com ternura, o contemplo
a brincar com teu netinho;
não te deixarei sozinho,
eu vou te recompensar;
me ensinastes a amar,
és meu orgulho, paizinho. 

Tu saias aos domingos,
bonito, todo pilchado,
com teu lenço colorado
e o pala voando ao vento,
honrando o pago de Bento,
Berço Natal consagrado:
chapéu na testa tapeado,
Gaúcho cento por cento! 

Pai! Pai, como eu sinto saudade
quando ias para os rodeios,
teu pingo mascando o freio;
E eu, ali, toda bonita,
num vestidinho de chita,
laços de fita na trança:
tua menina criança,
uma prendinha catita! 

Hoje, tu choras, baixinho,
lembrando tempos de outrora;
saudade não vai embora,
pois ela mora com a gente;
traz o passado ao presente,
revivido na memória;
és um pedaço da história
do nosso Pago Gigante. 

Patrão da Estância Celeste,
abençoe esse velhinho,
meu querido papaizinho,
que lutou tanto na vida,
manteve a família unida;
meu paizinho idolatrado,
recebas o abraço apertado
da tua filha querida!
 


Jurema chaves

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  Autor: Jurema Chaves
Poesia enviada Por: Jurema Chaves - São Leopoldo / RS
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11/11/2012 21:04:42 Romiro Padilha - caçador / SC - Brasil
Olá! É muito linda essa poesia. Mas é de dar ná na garganta, pra quem não tem mais o pai junto...
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09/03/2010 13:27:16 Ivo Leovaldo Pires Pereira - Gravataí / RS - Brasil
Feliz é o ser humano como você, que recebeu a dádiva de Deus, para poder homenagear o seu pai, com esta bela e emocionante poesia. Forte abraço de seu ardoroso fã.
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