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Grupo Minuano:
Vamo rapaziada

 

26/03/2010 17:49:04
DE QUEM VIVE DOS ARREIOS
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Vive de encilhar baguais,
sofrenando os seus anseios,
e no ranger dos arreios
tropeia ilusões reiúnas
no fogonear das auroras...;
na serventia dos bastos
leva seus sonhos de arrasto,
nas estrelas das esporas.

De tanto ajeitar cavalos
perdeu a conta dos golpes
e dos tirões que levou,
na labuta do estrivo...;
sem retrucar com o destino
vai desgrenhando a melena,
quando atira suas penas
pro lombo de algum malino.

Gosta de ver num palanque
um cosquilhoso bufando
com o pelo todo arrepiado;
é um convite dos mais quebras
pra um ginete já sovado,
que vive em chão de mangueiras
lavando a alma campeira
na baba dos aporreados!!!

Sua vida é jogar as garras
pra cima de um desbocado
e sair enforquilhado
num barulhento escarcéu...,
pois só acalma suas ânsias
alçando voos do chão
no lombo de um redomão,
beijando estrelas no céu.

Conhece todos mistérios
e as manhas que “hay” nesta luta
entre o instinto e a razão;
nesta estranha mutação,
que dois maulas põem na estampa
na iminência de um embate!
E empenhando as próprias vidas,
numa arena de mangueira,
vão misturar suor e sangue
com a ferrugem das esporas,
e escrever mais uma história
pras legendas do Rio Grande!!!

Nem a promessa mais séria
lhe tira dessa toada,
de encilhar as madrugadas
e dar espora a bagual...;
mas quando a alma se inquieta
e corcoveia “aos tirão”,
enseba as suas  “de garrão”
e rumbeando pro outro lado
vai tentear algum “regalo”
numa “criolla” Oriental.

E a hora que a estrela Dalva
acende o candeeiro ao longe,
e uma quietude de monge
se estende sobre a querência,
a negra boca da noite
lhe assopra as brasas dos sonhos,
em colossais ventanias...;
solta as rédeas “a la cria”
de um xucro sonho crinudo
e vai se grudar em um beiçudo,
num rodeio em Vacaria.

Entre uma jornada e outra
puxa as brasas pra cambona,
e lembra aquela gaviona
que pealou seus pensamentos...;
traz a guitarra pra o peito,
dando vaza aos sentimentos,
e numa milonga baguala
larga suas queixas ao vento!

E assim vai toreando a vida
em cima dos seus arreios,
domando pingos alheios
a puaços de nazarenas;
de seu as tralhas que até dão pena
de tanto levar tirão,
e um zaino cor de pinhão,
com estampa de parelheiro,
que ao trotezito faceiro
nem toca as patas no chão!

Leva o Rio Grande por diante
na peiteira dos arreios,
e nem o tempo mais feio
lhe tira a luz das auroras;
e o tino em cruzar caminhos,
na serventia dos bastos,
arrastando sonhos gastos
nas estrelas das esporas!!!

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  Autor: Gilberto Trindade dos Anjos
Poesia enviada Por: Gilberto Trindade dos Anjos - São Paulo / SP
  Observações:

Poesia dedicada pelo autor ao seu irmão Cinho, lá do Alegrete.

Mais poemas campeiros de Gilberto Trindade dos Anjos no sítio www.falquejadonoalegrete.blogspot.com


 
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