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Grupo Candeeiro:
Marca do Pago, de
João Pantaleão Gonçalves
e Pedro Neves

 

03/06/2010 15:42:43
BOLICHO DO MOZO
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Ali, na beira da estrada,
num rancho,
que também servia de morada,
no distrito de Boca da Picada,
município de Jaguary,
existia um bolicho,
onde, nos domingos,
era aquele reboliço
da peonada a conversar;
uns, lá fora, que gostavam do retoço,
ficavam jogando osso,
numa sombra de “sinamão”.
 
E o cabo Di,
índio véio mui gritão,
apostava sem parar...
Ganhava um pouco,
até se emborrachar.
Mas, depois, perdia tudo num “culo”.
Baita azar!
Outros perto do balcão,
onde tinha farto sortimento:
canha, pura ou misturada,
e uns “legumes de porco”,
atados nuns tentos.
 
E numa mesa, ali do lado,
ouvi um verso de amor...
Era um gaúcho apaixonado
jogando truco e cantando a flor!
Entre um trago e outro, de canha,
de vez em quando
até uma china se assanha...
E o bolicheiro, de bigode
e costeleta bem pintada de preta,
com graxa de sapato,
com uma cara de quem marca na paleta,
de quem, sozinho, tira boi do mato,
vai enrolando seu palheiro.
 
Nos dedos a agilidade de  gaiteiro.
E fica ali, olhando trigueiro.
Dá pra ver, no fundo de seus olhos,
que o índio não é mui hospitaleiro.
 
Mas, bolicheiro tem de manter
o respeito do lugar.
Se a cara for muito boa,
a freguesia é capaz de não pagar...
E, como tudo nesta terra tem o seu encanto,
nesse bolicho, eu lhes garanto,
era a filha do dono do armazém,
mais linda que uma pastagem de azevém,
com cheiro de flor de pitanga,
capaz de transformar peão em boi de canga.
 
Mas mexer com ela não convém...
O pai é um xerife;
e a mãe, pior que um sargento.
Acho que só a velha já afasta investimento.
Uma dona meio retaca,
com uns braços de polenteira.
Só um tapa dela é pior que estalo de açoiteira...
E, ainda, mui metida,
do tipo mandona e casamenteira,
que ficava com um nojo do patrão
quando pegava a oito baixos gemedeira...
 
Ter que aturar uma dessas como sogra
é muito sacrifício pra uma vida inteira.
E sacrifício o peão já tem de sobra
na lida do campo: serviço pesado.
Mas, mesmo “ansim”,
quando me sobra uns trocados,
eu boto tudo de lado
e volto praquela bodega,
pois a coisa que mais me alegra,
que me deixa enfeitiçado,
é poder tomar um trago
nesse verdadeiro retrato da campanha!

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  Autor: André Sesti Diefenbach
Poesia enviada Por: André Sesti Diefenbach - Santa Maria / RS
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