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Wilson Paim:
Prenda Minha, de Telmo de Lima Freitas

 

26/06/2010 09:55:07
PINGO GAVIÃO
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Um dia, bem cedo,
tomando o meu chimarrão,
recorri minhas idéia,
conversei com meus botão,
da dita fama que tinha
esse tal de gavião;
mas um dia, se Deus quiser,
ele cai nas minhas mão.

Encilhei o meu cavalo
pra ver o tal fazendeiro;
cheguei na frente da casa,
debaixo do cinamão:
- Ôh, de casa!
- Ôh, Dom Sebastião!
Tá aqui o domador,
pra domar o gavião.
- Eu não te engano,
minha criança:
o gavião morre de velho
e não acha quem amansa.

Dom Sebastião,
o senhor não diga, assim;
quero ver sua senhora
em cima dele de cilim.
No outro dia, bem cedo,
o sol não tinha saído,
vinha o gavião rinchando,
apartado da manada;
e os peão atirando o laço,
somente por gauchada;
entrou na mangueira,
e num canto separou.

Atirei o meu lacinho,
que no pescoço cerrou,
puxei pro palanque
e já tratei da tosação;
cavavava que nem um touro,
urrava que nem um leão;
amuntei nesse cavalo,
como em outros amuntava,
veaqueava de todo jeito,
só para ver se me derrubava.

Sorte que o amadrinhador
era um homem muito bom,
tirou-me coxilha acima,
me largou num chapadão;
setenta quadras de campo,
todo cheio de criação,
aonde era fechado,
era de Dom Sebastião.
E foi no fundo desse potreiro
aonde posei eu, solito,
Deus e o pingo gavião.

No outro dia, bem cedo,
já andavam à minha procura;
tinham feito o caixão,
tavam abrindo a sepultura;
cheguei na frente da casa,
debaixo do cinamão:
- Ôh, Dom Sebastião,
está aqui o gavião;
está de rédeas no chão!

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  Autor: Flávio M. Drunn
Poesia enviada Por: Flávio M. Drunn - Espumoso / RS
  Observações:
Este site é muito bom para nós gaúchos e todos os que gostam da nossa tradição. Um abraço! O autor.

 
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