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Leopoldo Rassier e os Tiarajus - XII CALIFÓRNIA:
Não podemo se entregá pros home,de F.Zanatta,F.Alves,Scherer

 

04/08/2010 11:26:18
ORAÇÃO DE UM VERSEJADOR
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Sou apenas um ser,
sem nada ter;
uma centelha de luz,
que carregando uma cruz,
a que me foi destinada,
recolho dores e queixas,
juntando-me aos vaga-lumes,
para encontrar minha rua,
nas noites frias, sem lumes,
quando é repouso da lua.

Sou apenas uma gota
na imensidão do universo,
que faz auroras no verso,
que não nasce por acaso:
nasce pra ser uma luz
na alma da singeleza,
pra cantar com a natureza
uma oração pra Jesus!

Às vezes, fico pensando
se o versejar é comércio,
um engodo, e nada mais!
Pois vejo tanta inverdade
paginando falsidade,
dizendo-se versejar...
quando, na realidade,
o verso vem com bondade
pra consolar nossa alma!

O verso nasce solito,
na pobreza de um ranchito,
num castelo, numa aldeia,
quando uma alma passeia
entre seres em conflito.

Simples, como a própria vida,
pra quem consegue entender
que o verso tem que nascer
da alma em ascensão;
é um colo-coração,
na sua simplicidade,                 
pra quem, sem luz, se perdeu
e pensa que é o próprio Deus
na sua imensa vaidade.

A poesia retrata
a beleza da humildade,
uma sublime missão -
vem estender sua mão
pra quem sozinho soluça,
quando um olhar se debruça
sobre o mundo com tristeza;
é aí que entra a beleza
de uma alma a versejar!

Por isso versejo a esmo,
pra embalar a mim mesmo;
é como orar bem baixinho,
que só Deus vai escutar!
Quando a tristeza me alcança,
me enlaça, me faz  criança,
como um canto de ninar!

Poesia é companheira,
seja na hora que for;
é um traçinho de amor
em cada nota brotada!
Na alvorada ou no sol-por,
vou juntando as entrelinhas,
entrelaçando o horizonte
com a tarde que avizinha...
E bordo o poncho da noite,
com claras rendas do dia!

Como pássaros na alvorada,
cantando linda oração,
bendizendo ao Criador,
a divina perfeição
de tudo que me inspira;
e quando a brisa suspira,
transpira cheiro de flores,
embriagando de amores
uns olhos meigos, morenos,
como lírios perfumados
gotejantes de sereno!

Isso é pura poesia,
uma luz que se irradia
na alma que fica inquieta.
Assim que nasce o poeta:
sem ter nada, tendo tudo!
Sua riqueza é completa,
fazendo rimas pra o mundo!

Quero apenas ser quem sou,
não quero ser inventada;
quero a mão abençoada
que conduz os passos meus.
Esse presente que Deus
me presenteou ao nascer
não posso dar nem vender,
mas usar pra o bem comum.
O verso é de cada um,
tem estilos diferentes...
mas todos têm, certamente,
seus valores, suas glórias;
mas só vale uma vitória,
quando por merecimento.

O verso é canto da alma:
acalma e faz tanto bem.
Por isso, preço não tem!
Um canto que nasce, assim,
como flor sobre o capim,
no sereno a rebrilhar,
como vender ou trocar
esse pedaço de mim...?!

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  Autor: Jurema Chaves
Poesia enviada Por: Jurema Chaves - São Leopoldo / RS
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06/08/2010 15:41:17 wilmar de oliveira - TRAMANDAI / RS - Brasil
Adorei o verso, pelas verdades que traz. Tem muita falcatrua por aí...
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