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Paixão Côrtes:
Gaúcho Velho

 

30/08/2010 10:53:46
DE VIVÊNCIA SAUDADE E TRADIÇÃO
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Meu avô chegou um dia,
com o olhar cheio de afeto;
me disse:  -  senta meu neto,
precisamos conversar...
Tu já és um rapazito
e eu te trago um regalito,
que há tempos guardo comigo,
e hoje eu quero te entregar.

Fiquei olhando assustado,
querendo entender direito;
meu avô, com o mate feito
e um velho pala na mão,
em meio aos arreios gastos,
ainda cheirando a pasto,
com a alma inteira pilchada
me ensinou o que é Tradição.

Ali mesmo, no galpão,
desenhei o meu destino;
talvez fosse um teatino
por esse mundão sem fim,
ergueria minha morada
ao longo dessas estradas,
com a vida presa ao estribo
e a pampa estendida em mim.

Descobri que o mate amarga,
mas ensina a meditar;
aprendi a cabrestear
as manhas do coração;
achei, em meio aos pelegos,
mais que abrigo, o aconchego
que vem povoar o meu mundo
no silêncio do galpão.

A Tradição não se muda,
é fé que resiste ao tempo,
é a voz, trazida no vento,
pelos nossos ancestrais;
coisas que a vida inventa
como esses céus de tormenta,
que se armam dentro da gente
e temperam meus ideais.

Nesta mala de garupa,
que sempre trago comigo,
mais que parceira é abrigo
pra alma nas noites frias,
nela guardo meus peçuelos,
que servirão de candeeiros
para alumbrar os meus passos
na estrada escura e vazia.

Nesta tarca legendária,
que guarda ecos de tropa,
onde meus sonhos galopam
como a resgatar um tempo;
que tinha por serventia
a contagem da gadaria,
que o meu avô tropeirava
debaixo de sol e vento.

Eu sou um Tradicionalista:
sou jovem, forte, guerreiro!
Meus filhos serão herdeiros
dos sonhos, que hoje são meus.
Meus avis de montaria
por eles serão usados;
não ficarão pendurados,
como peças de museu.

Quem sabe, um dia, um piazito
pilchado, bem a preceito,
siga meus passos – meu jeito
e os meus causos ficarão
nos subúrbios das memórias,
onde sesteia minha história;
e venha adoçar a prosa
nas rodas de chimarrão.

Perdido nos meus silêncios
rebusco velhas verdades,
milongueando uma saudade
que vem povoar o galpão;
pego o violão companheiro,
com quem vou puxando prosa
na teimosia mimosa
de viver a Tradição.

Tapeio os olhos do tempo,
peregrinando horizontes,
como a beber de uma fonte
sempre ao alcance da mão.
O passado vive aqui
na imagem de um guri,
com a vida presa às raízes
e a alma longe do chão!

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  Autor: Maria Beatriz Magalhães Santos
Poesia enviada Por: Maria Beatriz Magalhães Santos - Brasília / DF
  Observações:
Poesia classificada em 2º lugar na modalidade Poesia Inédita do 18º FEGARP, 
realizado nos dias 24 e 25 de julho de 2010, na sede social do CTG Querência Goiana, de Jataí-GO.

 
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Comentário:
   
 
09/09/2010 18:35:45 boby - porto alegre / Brasil
Muito tri essa poesia!
Sítio: http://bobydosluiz.com.br
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