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Miguel Marques:
No Agosto da Alma

 

07/10/2010 00:41:04
PRA TODO O ÍNDIO CAMPEIRO
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Todo o índio peão de estância,
com a sina de ser campeiro,
sempre tem como parceiro
um pingo especial pra lida,
companheiro pra recolhida,
tropeada e marcação,
honrando com tradição
a sua estampa vivida.

Todo o campeiro é garboso,
em seu flete é um monarca;
sempre deixa a sua marca,
por onde o seu vulto passa;
e sua história já traça
em suas largas vitórias,
transformando-se em glórias,
na tradição desta raça.

A sua jornada começa
ainda de madrugada;
no galpão se faz mateada,
para depois churrasquear,
ocasião pra planejar
as lides de campechano,
só então se preparando
pra sair e camperiar.

Pelas canhadas e coxilhas,
sentindo o sopro do vento,
seu olhar sempre é atento,
em tudo que lhe rodeie;
se a precisão quer que pealeie
qualquer animal abichado,
ele, então, será curado
antes que o mal se apeie.

Depois do dever cumprido
e a manhã se findando,
o peão vai retornando
à estância, pra chimarrear,
enquanto se põe a esperar
o churrasco gordo que assa,
pra só depois soltar a carcaça
nos pelegos, pra descançar.

Após dar uma sesteada,
ficando mais descansado,
o índio, quera largado,
seu pingo vai encilhar;
o gado tem que repontar
da invernada pra fazenda;
e aqueles que vão á venda
aparta, pra depois marcar.

E assim ele vai seguindo
o seu destino de peão,
com alma e coração,
enforquilhado nos bastos,
percorrendo campos vastos
por todo o pampa gaúcho,
como um taura sem luxo
sentido o cheiro do pasto.

É deste jeito, parceiro,
essa tal vida no campo;
é uma beleza, lhes garanto,
onde há tantas maravilhas,
sentido os pés nas flexilhas,
matando minha ansiedade,
repleto de felicidade
nesta querência caudilha.

Quando chegar a minha hora
de me bandear pra outra querência,
quero pedir, por clemência,
ao Patrão Santo e parceiro
que me consiga um arreio
e um pingo para encilhar;
e assim poder continuar
nas lidas de peão campeiro!

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  Autor: Édson Paim de Vargas
Poesia enviada Por: Édson Paim de Vargas - Quaraí / RS
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