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Os Guapos:
Pot-Pourri do Chimarrão: Chimarreando Só,
Bombachudo, Doce amargo do amor,
Pra adoçar o amargo

 

28/03/2011 21:54:03
RIO
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O VELHO RIO SONOLENTO
FAZ A CANOA DORMIR.
E O PESCADOR HÁ DE OUVIR
UMA CANÇÃO NA VOZ DO VENTO.
CHULEIA O ALIMENTO,
TENTEANDO A LINHA DE MÃO;
HORAS E HORAS SE VÃO,
MAS O PEIXE, COM CERTEZA,
VAI COBRIR A SUA MESA,
NÃO VAI LHE FALTAR O PÃO.

O SOL SE ESCONDE MACIO,
NUMA NUVEM ACINZENTADA;
UMA GAROA CRUZADA
CHUVISCA A ÁGUA DO RIO.
DEPOIS, NA CALMA DO ESTIO,
A CANOA SE BALANÇA,
COMO QUEM NANA CRIANÇA
NUM CARINHOSO ACALANTO;
E O RIO, COM SEU ENCANTO,
MESMO CORRENDO NÃO CANSA.

AS ÁRVORES MOLHAM AS MÃOS,
SE CURVANDO DA BARRANCA;
E SOBRE A AREIA BRANCA
A SOMBRA DEITA NO CHÃO.
AS FOLHAS SECAS SE VÃO,
FLUTUANDO NUM DESCANSO,
NO RIO QUE DESLIZA MANSO,
SE ENCALHANDO NAS TRANQUEIRAS;
DEPOIS ESCAPAM FACEIRAS,
PRA RODOPIAR NO REMANSO.

ATENTO DE SEU MANGRULHO,
RONDA O MARTIM PESCADOR;
CONHECIDO PROFESSOR,
TRAZ O PEIXE NO MERGULHO.
LASCA UM GALHO; E O BARULHO
ASSUSTA A CAPIVARA.
O RIO PARECE QUE PARA,
COMO ESTIVESSE COM SONO;
E UM CARDEAL CANTA COM ENTONO,
LÁ NA PONTA DA TAQUARA.

OS BIGUÁS, EM REVOADA,
PROCURANDO UM PESQUEIRO;
UM CASAL DE COLHEIREIROS,
LÁ DE CIMA DÁ UMA ESPIADA;
AQUI, EM BAIXO, AS GRASNADAS
DO BICHAREDO GRITANDO;
CADA UM VEM SE CHEGANDO,
PARA NÃO DORMIR SOZINHO;
E AS GARÇAS POUSAM NOS NINHOS,
NOS GALHOS SE BALANÇANDO.

VOLTA À MARGEM A CANOA,
ASSIM, NA FORÇA DO REMO.
E GRAÇAS AO PAI SUPREMO,
A PESCARIA FOI BOA.
UM SACO ATADO NA PROA,
TRAZENDO TODO O PESCADO:
JUNDIÁ, TRAÍRA, PINTADO;
E UM INDIO VELHO, MATREIRO,
QUE NA ESCOLHA DO PESQUEIRO
DEFENDEU O ENSOPADO.

O SOL MANCITO, SE VAI,
LEVANDO COM ELE O DIA;
A TARDE DESCE SOMBRIA,
QUANDO A BOIEIRA SAI.
E ASSIM A NOITE CAI,
VINDO COM ELA O PERFUME.
LÁ NO RANCHO APAGA O LUME,
PARA O SONO E O DESCANSO;
E NO RODOPIO DO REMANSO,
DANÇA O RIO COM OS VAGALUMES!

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  Autor: Deroci Freitas de Moraes
Poesia enviada Por: Deroci Freitas de Moraes - Santa Maria / RS
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Visitem o meu blog http://lafora.arteblog.com . O autor.

 
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01/04/2011 21:46:01 cidinei ramires de mello - Porto Alegre / RS - Brasil
Lindo o poema, amigo Deroci. Cheguei a me ver sentado nas barrancas desse rio. Abraço!
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