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Miguel Marques:
No Agosto da Alma

 

09/04/2011 20:11:38
MINHA ALMA DE GALPÃO
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Quando a tarde chega ao fim,
avermelhando o poente,
a luz do sol, lentamente,
vai apagando sua brasa;
eu chego pedindo vaza
pra um descanso no galpão,
aonde aqueço minha alma
ao pé do fogo de chão.

Lá fora uma lua branca,
que chegou junto com a noite;
e o Minuano, num açoite,
reponta adagas, cortando,
pelas frestas vai entrando
no meu galpão de campanha;
me aquento com o fogo bueno
e algum traguito de canha.

Uma garra de pelego
forra o cepo, onde me abanco;
e a idéia, num solavanco,
volteia tropas no tempo.
E tenho o pressentimento
que a noite ganhou a parada;
e já que o sono não chega,
proseio com a madrugada.

As labaredas, que dançam,
parecem encilhar um pingo
numa manhã de domingo
de um setembro farroupilha;
e a velha estirpe caudilha,
que marcou a sangue este chão,
retorna acendendo a chama
da alma do meu rincão.

O pensamento, à galope,
se vai, parando rodeio;
saudade, mascando o freio,
vai camperiando a amplidão.
Na quietude do galpão
o vento passa cantando
lembranças de um tempo moço,
que a noite vem repontando.

Eu me vejo, num repente,
gineteando campo a fora;
quem riscou potros de espora,
no oficio de domador,
ou cruzou um corredor
repontando uma boiada,
hoje tropeia o sono
na ronda da madrugada.

Na minha idéia surrada
vai desfilando o meu pago;
até paro pra tornar um trago,
quando a saudade me embuçala.
De ansiedade perco a fala,
que é por demais a emoção
que o tempo vem repontando
pro peito deste peão.

Assim, nesta noite inquieta
sinto pulsar a querência;
e nesta minha existência,
enquanto estiver na Terra,
cruzarei Campanha e Serra
sempre cantando meu chão,
levando a tropa de ânsias
da minha alma de galpão!

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  Autor: Jorge Lima
Poesia enviada Por: Viviane - Sapucaia do Sul / RS
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12/04/2011 21:11:25 /Deroci Moraes - Santa Maria / RS - Brasil
Buenacha a poesia. Parabéns!
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