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O Doce Amargo do Amor, de Leonardo

 

30/08/2011 22:42:10
MAROTA
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Ando lonqueado de saudades
por uma china que me deixou,
pois nem por recado me avisou
da sua intenção de ir embora.
E o meu coração, triste, chora
lamentando este meu drama;
e todos os dias ele reclama,
querendo saber onde ela mora.

Chô mico! Eu nunca fui destes
de me entregar pra rabo de saia.
Aquela china, até hoje me atrapalha
Quando eu penso em me divertir,
eu tento me empacholar para ir
cambichear em outras pousadas,
mas a saudade daquela malvada
está sempre a me persseguir.

Por onde ela anda? Eu não sei,
pois nunca me mandou notícias.
Deixou só as marcas das carícias,
que certa vez me engambelou,
caprichosamente me enganou.
Disto hoje eu tenho a certeza:
foi com a sua marota beleza,
que a desgraçada me pealou.

Oigalê! Que coração caborteiro!
Êta! China maleva e atrevida!
Que apareceu na minha vida,
deu-me uma sova de carinho,
e, depois, me deixou sozinho,
sem deixar rasto nem endereço.
Desde então eu muito padeço,
de tanto procurar caminhos.

Talvez ande por outras querências
marcando esses xirus metidos a galo,
pois é destas que gostam dum regalo,
mas não se amarra nas vaidades;
deixa suas marcas nas saudades,
que o peão fica sentindo por ela.
E quando some, parece mais bela.
Eu entrei nessa: que barbaridade!

Eu a conheci nas andanças,
que eu fazia nos fins de semana.
Enrabichei-me naquela lichiguana,
por ser dessas xiruas caprichosas,
dessas, no andar desprentensiosas,
ms que olha até por cima do lombo;
e no meu coração deu um tombo,
me engambelando com sua prosa.

Nos primeiros galopes que eu dei
naquele pedaço de mau caminho,
eu jamáis imaginei que, ligeirinho,
ela me aprontasse aquele sumiço.
Ela não aceitava um compromisso,
queria apenas farrear nas caronas;
não era dessas que se apaixona,
por um peão bom de serviço.

Tchê! Que trecho brabo eu passei!
Eu que sempre me achava forte,
quase que eu perdi o meu norte
por aquele cambicho traiçoeiro,
que tem um desses pealos certeiros,
de marcar qualquer xiru na paleta;
me marcou e foi embora, de veneta,
nem me disse: até logo, parceiro!

Até hoje não consigo me aprumar
e nem abandonar meus anseios.
Eu deixei, até, de fazer galanteios,
deixei até de ser quem eu era.
O meu peito virou uma tapera,
sem lugar pra outra china morar.
Eu espero, um dia, lhe encontrar
e a apresilhar no coração deste quera!

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  Autor: José Adair da Silva
Poesia enviada Por: José Adair da Silva - Lajeado / RS
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